Hoje acaba a Operação Marquês porque, seja lá qual for a decisão de Ivo Rosa, é a primeira vez que um magistrado apenas interessado em respeitar os princípios do Estado de direito democrático se vai pronunciar sobre a informação recolhida a respeito das suspeitas levantadas contra Sócrates. Os que o antecederam, de Rosário Teixeira a Carlos Alexandre e passando por Joana Marques Vidal, politizaram o processo e não merecem a menor confiança.
Este processo começou por excelentes
razões. Havia, realmente, matéria que justificava uma investigação do
Ministério Público aos trânsitos de dinheiro para Sócrates. Por aqui, não só
não há qualquer dúvida acerca da legitimidade da abertura do caso no Ministério
Público como todos os cidadãos esperam que tal aconteça sempre nas mesmas
circunstâncias com terceiros. Infelizmente, esta bondade judicial esgotou-se na
sua própria abstração pois os actos que iniciam a investigação estão feridos de
ilicitude: investigou-se irregularmente e abusivamente. Porquê? Política.
Não sei se Sócrates cometeu
alguma ilegalidade. Espero que, caso a tenha cometido, ela venha a ser julgada
e tenha uma condenação justa. Por mínima que seja. Sei outra coisa, que a
Operação Marquês não foi em momento algum o exercício de querer estabelecer
factos para chegar a conclusões que eles fundamentassem. Passou-se ao
contrário, andaram à procura de factos para as únicas conclusões que concebiam
manter no final do prazo. Daí estarmos hoje, finalmente, em condições de conhecer
uma visão isenta desses factos e da sua justa, constitucional, interpretação.
Luís Rosa, uma viscosa e fanática
figura que tem em Sérgio Moro o seu herói, escreveu há dias um artigo onde
festeja a eventualidade de a Operação Marquês só terminar em 2036. Para ele,
tal consolo faz todo o sentido pois esse prazo corresponde ao tempo disponível
para continuar a explorar o tema e o ódio que ele anima nas audiências da
direita decadente, da indústria da calúnia, do populismo e do tachismo. Para o
cidadão assustado com a possibilidade de ter existido um primeiro-ministro que
se justifica julgar por acusação de corrupção, e apavorado com a possibilidade
de existir uma Justiça que comete intencionalmente injustiças, hoje é o dia em
que esta questão de regime vai obter decisiva sentença.
Do blogue Aspirina B
POR VALUPI
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