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sábado, 22 de agosto de 2020

Um bastonário preso no seu solitário labirinto:


1. O bastonário da Ordem dos Médicos recebeu subtil ricochete da sua insidiosa campanha contra o governo. E não gostou. Muito embora a SIC tenha querido transferir para a ministra Ana Mendes Godinho a referência de António Costa sobre quem se senta no conforto dos gabinetes a multiplicar-se em perniciosos alvitres por skype para as televisões, poucos terão sido os que não viram nessas palavras uma acusação inteligente a Miguel Guimarães.
Percebendo a estocada ouviram-se-lhe ameaças de retaliação: que os médicos declarar-lhe-iam guerra! Como se tivesse sido a classe a ser posta e causa e não apenas o pequeno número dos que, em Reguengos de Monsaraz, recusaram o cumprimento dos deveres e por isso mesmo foram confrontados com a possibilidade de um processo disciplinar.
Duvida-se, aliás, que Miguel Guimarães tenha o respaldo da generalidade da classe médica. Esta mostra-se incansável na forma como faz todos os possíveis para que os doentes tenham os melhores cuidados nestes tempos de crise sanitária. O comportamento criticado a alguns não é objeto de generalização. Pelo contrário! Daí que Miguel Guimarães fala, fala ...  e os médicos, de que se diz responsável ignoram-no, revelando denodo e competência e escusando-se a secundar-lhe as controversas afirmações.
O problema com que Guimarães pode vir a confrontar-se é acontecer-lhe o mesmo que à bastonária dos enfermeiros: conseguiu ser reeleita para manter o estatuto, que o poleiro lhe garante, mas é completamente ignorada pelo governo. A estratégia politiqueira foi tão óbvia, que deixou de ser encarada como séria interlocutora para a abordagem de todas as questões da classe dos enfermeiros que vão para além das que se cingem ao âmbito sindical. Miguel Guimarães está a candidatar-se ao mesmo merecido tratamento: ignorando os próprios telhados de vidro, tornou-se tão afadigado atirador de pedras ao governo, que arrisca-se a ficar sozinho na praça pública a perder o pio perante quem justificadamente o ignore...
2. Vestindo farpela de coitadinha veio a direita  «denunciar» que o Partido Socialista controla todos os centros de poder relacionados com o sucedido em Reguengos. Não compreendeu ter-se assim desmascarado quanto ao facto de, ignorando o sucedido em tantos outros lares, se escolhesse o dessa vila alentejana para merecer a ilegítima auditoria da Ordem. Mas agora acresce mais uma deliciosa informação: José Robalo, o dirigente da ARS Alentejo que desmascarou a metodologia e fundamentos daquele documento, foi nomeado para essas funções pelo governo de ... Passos Coelho. Pois!
Do blogue Ventos Semeados
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