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sábado, 15 de agosto de 2020

Porque defendo que a Festa do Avante se realize:


Embora militante socialista com número a assegurar a antiguidade da filiação (15208), e as quotas sempre pagas por antecipação ao começo de cada ano, sou daqueles que, ao invés dos que alinham num discurso ferozmente anticomunista tecendo mistificações sobre o sucedido nos anos do PREC - muitas delas inventadas pelas diversas fontes financiadas pela CIA nesse período e no que se seguiu! - mantenho a admiração e o reconhecimento por todo o corajoso combate que muitos militantes do PCP assumiram durante a longa ditadura fascista, muitos deles pagando com a vida, ou com a sujeição a bárbaras torturas, a  sua crença num mundo mais justo e melhor. Nesse sentido sentir-me-ei sempre mais confortável com acordos e coligações à esquerda para que o Partido Socialista possa impor no governo a sua visão progressista do país do que com espúrias concertações à direita, sempre fadadas a péssimas consequências. Razão porque apoiei entusiasticamente a solução criada em 2015 para que o PS cumprisse toda a legislatura anterior, e continuo a crer que seja essa a mais ajustada para o futuro. Mesmo que os potenciais parceiros de coligação me dececionem umas quantas vezes com a lógica míope do quanto pior melhor, acedendo a coligações absurdas com as direitas, que dizem execrar.
Sobre a Festa do Avante o governo disse ontem o que tarda em ser aceite como óbvio: segundo a Constituição nenhum governo poderá impedi-la. E a ministra da Saúde até esteve mal, quando disse inviáveis os 100 mil frequentadores previstos pela organização: a lotação anteriormente verificada aconteceu numa área da quinta da Atalaia, que ficava aquém da exequibilizada na edição deste ano. Daí que não veja razão nenhuma para que persista a intensa campanha, sobretudo das direitas, em a inviabilizar. O que, porém, não se estranha: quem não se lembra que, nos primeiros anos, a Festa andou a saltar de sítio em sítio (FIL, Alto da Ajuda, Infantado de Loures) só porque as direitas a queriam impedir de se realizar? A Quinta da Atalaia acabou por ser a solução inevitável para que os bloqueios não perdurassem. Mas as direitas não desistem de boicotar um evento, pondo a SIC e o Expresso  a atiçar a campanha com Telmo Correia a ladrar qual cão raivoso ou Rui Rio a proferir mais uma inaceitável desonestidade prontamente desmascarada por Jerónimo de Sousa.
Pessoalmente, mesmo não frequentando a Festa, acho muito bem que se realize dentro dos constrangimentos concertados com a DGS e que, quer o PCP, quer a CGTP, têm demonstrado serem escrupulosamente cumpridos nas suas ações políticas. Porque nenhum surto pode ser até agora associado a elas por muito que não tenha dúvidas em considerar que as direitas estiveram particularmente atentas a elas para disso se aproveitarem, se fosse esse o caso.
Aos meus camaradas socialistas proponho uma palavra de ordem do Maio 68: façam um pequeno esforço para serem revolucionários e não se deixarem arrastar pelas campanhas reacionárias da direitas. No futuro terão o agradecimento do povo português, beneficiado pelas políticas progressistas só possíveis com Visões de esquerda ...
Do blogue Ventos Semeados
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