Talvez esteja errado naquela
aceção muito tradicional em como se devem resolver dentro de casa as questões,
que possam associar-se ao conceito de «roupa suja». Por isso não compreendo, e
muito menos aceito, que Fernando Medina e Ascenso Simões andem por estes dias a
carregar espingardas para darem tiros nos pés do Partido em que têm conhecido
alguma notoriedade. Sobretudo por possibilitarem que as direitas logo invoquem
o alibi de «se dentro do próprio partido assim o dizem...».
No caso de Fernando Medina até
poderia empatizar com a contestação ao Ministério da Saúde. Afinal é a ministra
e os seus secretários de Estado, quem estão a pactuar com a grassa
incompetência do diretor clínico do Hospital Garcia da Orta que está em vias de
o tornar mais disfuncional do que já se revelou com o lamentável caso do
serviço de Pediatria. A prossecução do seu estilo autoritário resultou na
demissão do diretor do serviço de Ginecologia e Obstetrícia o que faz prever o
pior para o tipo de cuidados que as grávidas
ou os casos oncológicos aí conhecerão no curto-médio prazo.
O problema é que Medina não
escolheu uma fundamentação substantiva para se pôr em bicos dos pés, parecendo
muito mais interessado em morder as canelas a Duarte Cordeiro, que sabe próximo
de Pedro Nuno Santos com quem julga ter confronto marcado para daqui a alguns
anos. E é injusto o reparo feito às debilidades de quem enfrenta a pandemia com
assinalável empenho e competência, quando sabe que a persistência do traçado da
curva de infetados pelo vírus na área metropolitana de Lisboa muito deve a uma
realidade que não há quem possa alterá-la: a existência de muitos imigrantes
não europeus, em grande parte indocumentados, que dão nomes e moradas falsas,
quando lhes identificam a doença. Em concelhos do interior do país, onde todos
se conhecem, não é difícil, rastrear as cadeias de transmissão. Mas numa enorme
extensão urbana constituída por Lisboa e seus subúrbios que alternativa há para
que a epidemia seja melhor controlada? Só o esforço coletivo no acatamento das
regras ditadas pela DGS poderá produzir efetivos resultados.
Quanto a Ascenso Simões o caso é
ainda mais fácil de verberar: o artigo do «Público» em que critica a
intervenção do Estado na TAP lembra aquela fronteira que separa os audazes dos
timoratos, aqueles que ousam atuar por ser essa a única forma de enfrentarem e
vencerem as dificuldades ou os que se acoitam num refúgio à espera que a
tormenta passe e voltem então a sair dessa zona de conforto. Normalmente
costuma dizer-se que quem tem medo compra um cão. Parece conselho avisado para
quem se dissocia tão absurdamente do que na TAP está verdadeiramente em
causa...
Publicada por jorge rocha
Do blogue Ventos Semeados

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