Bem sabemos que a tática dos que
execram este governo passa por darem da realidade uma interpretação negativa
dentro da estratégia do quanto pior melhor. A possibilidade de os mercados
financeiros internacionais se agitarem, porque o governo português não teria
cumprido um compromisso de empréstimo ao Novo Banco traduzir-se-ia, de
imediato, no aumento dos juros da dívida soberana, agravando as dificuldades do
país no curto e médio prazo, mas os que só querem dar da tal realidade a que se
vislumbra à frente do nariz, agitam demagogicamente a opinião pública em torno
da imoralidade desse apoio. A saída de Centeno do governo fragilizaria a imagem
de Portugal junto dos parceiros europeus, sendo notícia de primeira página a
substituição do presidente do Eurogrupo antes do final do mandato, mas os que
ontem andaram a exigi-la pensam nos seus ganhos políticos em detrimento do
interesse nacional, que Passos Coelho deixara num patamar tão rasteirinho.
Contra os que se valem da
constante maledicência, por nada de concreto terem a propor como alternativa,
devemos focalizar-nos nas notícias positivas, que nos justificam o orgulho. E,
olhando para a imprensa de hoje, vale a pena referir três exemplos: por exemplo
o facto de Portugal ter prescindido de comprar 75 milhões de máscaras de
proteção contra o vírus através do programa da União Europeia porque soube ir
ao mercado comprá-las mais baratas, em melhores condições de pagamento e com
entrega em prazos mais curtos. Outro caso merecedor de encómio é o de, em
apenas dois meses, terem aumentado em 35% o número de camas nos hospitais
públicos destinadas aos cuidados intensivos, o que confirma a ideia de, passada
a crise, o Serviço Nacional de Saúde sair dela fortalecido. E o derradeiro
exemplo é o relacionado com a comunidade LGBTI: um relatório europeu demonstra
ser Portugal o país onde o número de agressões contra os que a integram é o
mais baixo, dando a imagem de tolerância, que deveremos prezar e fomentar.
É claro que temos o exemplo
contrário e também relacionada com o Novo Banco: a notícia em como a sua
administração vai acumulando prejuízos, mas decide atribuir-se um bónus de dois
milhões de euros, revela como no seu seio continua a imperar aquela cultura da
ganância do personagem de Gordon Gekko no «Wall Street» de Oliver Stone. O que
não admira: o presidente da instituição foi um dos promotores da ascensão de
Passos Coelho ao governo através do «Compromisso Portugal» e da criação do
«Observador». Um tipo de gestores que a atual e futura conjuntura bem dispensa,
porque reiteradamente nefastos aos interesses coletivos.
Publicada por jorge rocha
Do blogue Ventos Semeados

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