A tática não é nova, mas volta a
repetir-se por estes dias a propósito de se indultarem ou não algumas centenas
de encarcerados nas sobrelotadas prisões do país.
Dias a fio as televisões
apresentaram propostas nesse sentido de responsáveis intermédios do setor da
Justiça e de alguns especialistas conhecidos, muitos deles conotados com as
ideologias de direita. Os argumentos eram sensatos: como garantir um
confinamento eficiente em celas com cinco ou seis presos? Que perigo pode advir
de pessoas a verem próximo o cumprimento da pena e cuja avançada idade
dificultará o regresso à atividade criminosa?
De repente até pareciam
prevalecer os pareceres de quem criticava o governo por tardar na concretização
de tal medida.
Eis que a proposta, aparentemente
consensual na sociedade portuguesa, começou a ser preparada a nível do
Ministério da Justiça e logo irromperam os oportunistas a quererem ver nela a
demonstração do inaceitável facilitismo do governo para quem merece ficar
enclausurado até ao último minuto das respetivas penas.
Que o aldrabão do Chega
levantasse a voz nesse sentido não se estranha. Ele é o exemplo mais flagrante
de como um escroque não tem o mínimo escrúpulo para ver bem sucedida a
estratégia, que julga levá-lo ao palanque. Mas que haja quem da direção do
partido a que Rui Rio procura dar uma aparência de seriedade secunde os mesmos
argumentos já outra conclusão se tira: quando a direita, que se quer apresentar
como centrista, veste a pele do populismo pós-fascista, só confirma a forte
probabilidade de a ele se juntar quando o pote der mostras de dela se manter
duradouramente afastado.
Mas pior ainda a atitude de
Marcelo a dar razão a quem em tempos lhe deu o nome de catavento (mesmo que em
tudo o mais não tivesse ponta de razão!): pondo o nariz no ar a ver donde
sopram os ventos dominantes, o inquilino de Belém já fez saber que será dele a
última palavra. Procurando ganhar simpatias nos que estão de acordo com o
indulto se adivinhar ser essa a tendência dominante ou juntando-se
aceleradamente aos que se opõem oportunisticamente ao governo se adivinhar
alguma vantagem nessa opção.
Por muito que os prosélitos de
Marcelo se irritem com esta constatação continuamos a ter como presidente quem
decide em função da direção que tomam os ventos.
Publicada por jorge rochaA tática não é nova, mas volta a
repetir-se por estes dias a propósito de se indultarem ou não algumas centenas
de encarcerados nas sobrelotadas prisões do país.
Dias a fio as televisões
apresentaram propostas nesse sentido de responsáveis intermédios do setor da
Justiça e de alguns especialistas conhecidos, muitos deles conotados com as
ideologias de direita. Os argumentos eram sensatos: como garantir um
confinamento eficiente em celas com cinco ou seis presos? Que perigo pode advir
de pessoas a verem próximo o cumprimento da pena e cuja avançada idade
dificultará o regresso à atividade criminosa?
De repente até pareciam
prevalecer os pareceres de quem criticava o governo por tardar na concretização
de tal medida.
Eis que a proposta, aparentemente
consensual na sociedade portuguesa, começou a ser preparada a nível do
Ministério da Justiça e logo irromperam os oportunistas a quererem ver nela a
demonstração do inaceitável facilitismo do governo para quem merece ficar
enclausurado até ao último minuto das respetivas penas.
Que o aldrabão do Chega
levantasse a voz nesse sentido não se estranha. Ele é o exemplo mais flagrante
de como um escroque não tem o mínimo escrúpulo para ver bem sucedida a
estratégia, que julga levá-lo ao palanque. Mas que haja quem da direção do
partido a que Rui Rio procura dar uma aparência de seriedade secunde os mesmos
argumentos já outra conclusão se tira: quando a direita, que se quer apresentar
como centrista, veste a pele do populismo pós-fascista, só confirma a forte
probabilidade de a ele se juntar quando o pote der mostras de dela se manter
duradouramente afastado.
Mas pior ainda a atitude de
Marcelo a dar razão a quem em tempos lhe deu o nome de catavento (mesmo que em
tudo o mais não tivesse ponta de razão!): pondo o nariz no ar a ver donde
sopram os ventos dominantes, o inquilino de Belém já fez saber que será dele a
última palavra. Procurando ganhar simpatias nos que estão de acordo com o
indulto se adivinhar ser essa a tendência dominante ou juntando-se
aceleradamente aos que se opõem oportunisticamente ao governo se adivinhar
alguma vantagem nessa opção.
Por muito que os prosélitos de
Marcelo se irritem com esta constatação continuamos a ter como presidente quem
decide em função da direção que tomam os ventos.
Publicada por jorge rocha
Do blogue Ventos Semeados
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