Já o tenho aqui escrito, mas vale
a pena reiterar o que se pode concluir do ouvido de algumas criaturas nestes
últimos dias: as nossas direitas ideológicas têm uma tal falta de imaginação,
que não veem outra alternativa senão a de reciclarem argumentos metralhados
repetidamente noutras ocasiões. Agora foi o diretor do «Expresso» a dar o mote:
para ele os funcionários públicos deveriam sofrer cortes nos salários, já que
existem tantos trabalhadores em lay-off ou mesmo desempregados. E Daniel Bessa
- aquela aventesma nortenha de quem a direita gosta tanto de repetir ter
pertencido, mesmo que efemeramente, a um governo de António Guterres (o que só
comprova as limitações do atual secretário-geral da ONU nos tempos em que foi primeiro-ministro!- vem relançar o
tema da “peste grisalha” sugerindo que os países do Norte só acedam à
facilitação do financiamento à economia portuguesa nos próximos tempos se os
pensionistas levarem violento corte nos rendimentos.
Seria pelo menos interessante ver
as direitas adornarem-se de argumentos e táticas novas, mas a sua mediocridade
é tal, que se contentam em fomentar os ódiozinhos entre trabalhadores do setor
privado versus setor público ou das gerações mais novas relativamente às mais
maduras. Porque sabem os perigos que existem quando os trabalhadores se unem,
independentemente de quem têm como patrões, ou quando novos e velhos se põem a
desejar aquilo que o poeta Aleixo designou como um “mundo novo a sério”.
Nestas primeiras tentativas, nem
o Vieira Pereira do «Expresso» nem o Bessa conseguiram grande eco das suas
palavras. Pelo contrário logo se levantou um clamor dos que bradam contra o
regresso das intenções espúrias de tão desafinados bardos. Mas deveremos estar
atentos, porque eles não desistirão à primeira, logo voltarão quando julgarem
mais propícia a ocasião para reiterarem o que agora só lhes terá servido de
teste apara aferir a reação. Como se dizia nos tempos subsequentes à Revolução
de Abril convirá estar atentos, porque os reaças continuam ativos entre nós.
Publicada por jorge rocha
Do blogue Ventos Semeados

Sem comentários:
Enviar um comentário