A tendência confirmou-se nos
últimos dias: Rui Rio tem pretendido dar ao eleitorado uma aparência de unidade
nacional com o governo numa crise que, sendo nacional, exige uma concertação
acima dos interesses partidários, mas os autarcas do seu partido andam a
portar-se como mastins raivosos investindo contra o governo e contra a
direção-geral da saúde, querendo pôr em causa os números diariamente reportados
no boletim por esta última emitido. Existe um propósito claro de pôr em causa a
liderança desta batalha, criando um inqualificável alarmismo tendente a
alimentar a ideia de vivermos uma situação muito pior do que a efetivamente
verificada.
Cabe aqui questionar qual a
estratégia do PSD: estaremos perante uma manifestação de hipocrisia de Rui Rio,
que joga em dois tabuleiros, num afivelando expressão simpática e assertiva
para com quem combate o flagelo, mas tendo no outro os seus peões incumbidos de
promoverem ataques passíveis de irem demolindo a solidez dessa luta nacional?
Se os seus autarcas andam a agir por conta própria, concertados na estratégia
de porem em causa as muitas notícias internacionais sobre o sucesso da resposta
portuguesa à crise ele só tem de se mostrar um líder interno à altura das
circunstâncias e dissociar-se dos que, nesta altura, só se limitam a produzir
ruído.
Das notícias do dia também o
topete dos hospitais privados que, sem assentimento do SNS, andam a aceitar
internamentos de doentes com o covid 19 e intentam mandar a fatura para que
sejam os cofres públicos a pagarem as faturas correspondentes. Com admirável
determinação a ministra Marta Temido já os mandou aos rebuçados sendo tão
flagrante a chico-espertice de compensarem os cortes nas receitas com aquilo em
que são especialistas: sugarem o SNS até ao tutano para encherem as carteiras
dos seus acionistas.
Acaso o governo não clarificasse
rapidamente a situação não faltaria quem transitasse rapidamente dos hospitais
públicos para usufruírem das mordomias dos privados sabendo que, no fim,
pagariam todos os contribuintes.
Publicada por jorge rocha
Do blogue Ventos Semeados

Sem comentários:
Enviar um comentário