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domingo, 12 de abril de 2020

Ano sem Páscoa:


Nunca na minha existência houve um ano em que não houvesse Visita Pascal. Sempre saía mais que uma Cruz aqui em Freamunde. Já escrevi vários textos a salientar essas visitas e o modo como eram recebidas. Ainda recordo o final e elas (cruzes) fazerem a recolha em S. Francisco, onde todas iam à casa do Sr. Luís Teles Meneses.

Depois da varanda a família Teles atirava amêndoas e confeitos para a ganapada ali presente – era um deles – apanhar. Estas guloseimas, não habitavam nas casas dos pobres –, a minha incluída.

Tempos difíceis que não os desejo.

Mas olhando para esta Páscoa, de doze de Abril de dois mil e vinte, acrescento a data para ficar para os anais da história, noto que a desejava como a de outrora. Ou como a do ano passado.

Mas nada disso acontece derivado ao vírus.

E hoje de manhã não estranhei a minha esposa não me chamar à atenção para me pôr a pé da cama. Nos anos anteriores por volta das sete ou sete horas e trinta minutos lá vinha a recomendação: põe-te a pé! – Quero fazer a cama e arrumar para a casa estar impecável para receber a Visita Pascal. Há quem chame da Cruz ou do Senhor.

O que é certo é que lá me punha a pé porque também tinha prazer de receber a Visita Pascal. A minha filha – o meu filho, nora e neto estão emigrados em França nesta festividade não estavam presentes – o meu neto Duarte, o Miguel, com vinte dias de existência, mais as minhas irmãs, aqui faziam poiso.

Depois da saída do Compasso dava o folar aos meus netos. De seguida íamos para a mesa onde estavam expostas as guloseimas: doces, rolo que aminha esposa faz com superior categoria, pão de ló, comprado na doçaria, salgados e vinho do Porto. Sempre com pressa porque a minha e minhas irmãs de seguida tinham a Visita Pascal nos seus lares.

Este ano tudo é diferente.

Não há o tilintar da campainha a anunciar a chegada do Compasso. Às portas de casa não se vê a hera ou flores a anunciar quais casas estavam dispostas a receber a visita.

Não se vê vivalma na rua. Até os cães que faziam por aqui o seu poiso com o seu ladrar há tempos que não se ouvem. Será que estão a cumprir o confinamento.

Que dia de Páscoa triste.

Que venha a de dois mil e vinte e um. Se for vivo vou poder dizer: Ano com Páscoa.

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