Nunca na minha existência houve
um ano em que não houvesse Visita Pascal. Sempre saía mais que uma Cruz aqui em
Freamunde. Já escrevi vários textos a salientar essas visitas e o modo como
eram recebidas. Ainda recordo o final e elas (cruzes) fazerem a recolha em S.
Francisco, onde todas iam à casa do Sr. Luís Teles Meneses.
Depois da varanda a família Teles
atirava amêndoas e confeitos para a ganapada ali presente – era um deles –
apanhar. Estas guloseimas, não habitavam nas casas dos pobres –, a minha
incluída.
Tempos difíceis que não os
desejo.
Mas olhando para esta Páscoa, de
doze de Abril de dois mil e vinte, acrescento a data para ficar para os anais
da história, noto que a desejava como a de outrora. Ou como a do ano passado.
Mas nada disso acontece derivado
ao vírus.
E hoje de manhã não estranhei a
minha esposa não me chamar à atenção para me pôr a pé da cama. Nos anos
anteriores por volta das sete ou sete horas e trinta minutos lá vinha a
recomendação: põe-te a pé! – Quero fazer a cama e arrumar para a casa estar
impecável para receber a Visita Pascal. Há quem chame da Cruz ou do Senhor.
O que é certo é que lá me punha a
pé porque também tinha prazer de receber a Visita Pascal. A minha filha – o meu
filho, nora e neto estão emigrados em França nesta festividade não estavam
presentes – o meu neto Duarte, o Miguel, com vinte dias de existência, mais as
minhas irmãs, aqui faziam poiso.
Depois da saída do Compasso dava
o folar aos meus netos. De seguida íamos para a mesa onde estavam expostas as
guloseimas: doces, rolo que aminha esposa faz com superior categoria, pão de
ló, comprado na doçaria, salgados e vinho do Porto. Sempre com pressa porque a
minha e minhas irmãs de seguida tinham a Visita Pascal nos seus lares.
Este ano tudo é diferente.
Não há o tilintar da campainha a
anunciar a chegada do Compasso. Às portas de casa não se vê a hera ou flores a
anunciar quais casas estavam dispostas a receber a visita.
Não se vê vivalma na rua. Até os
cães que faziam por aqui o seu poiso com o seu ladrar há tempos que não se
ouvem. Será que estão a cumprir o confinamento.
Que dia de Páscoa triste.
Que venha a de dois mil e vinte e
um. Se for vivo vou poder dizer: Ano com Páscoa.

Sem comentários:
Enviar um comentário