Rádio Freamunde

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sexta-feira, 24 de abril de 2020

Agora, Moro:

E lá foi “à vida” Sérgio Moro!

Agora, muitos de quantos que elogiaram a vedeta do Lavajato, vão afirmar que ele acabou por trair o presidente que lhe deu um palco político, ferindo-o num momento de uma óbvia fragilidade.

Outros, mesmo alguns que o diabolizaram pelo modo como se comportou naquele processo, mas porque lhes dá muito jeito esta bofetada em Bolsonaro, vão acabar por dizer que o homem saiu com alguma dignidade, para não ter de fazer mais fretes políticos ao presidente.

Vamos ser claros: estamos a falar da mesma pessoa que, independentemente de ter conseguido meter na prisão gente que bem o merecia, o fez através de uma operação político-judicial cheia de irregularidades processuais, com finalidades políticas que iam muito para além dos objetivos da justiça. Um processo que, no fim da linha, teve como consequência a eleição de uma figura como Jair Bolsonaro, tendo Moro, como prémio, o lugar de ministro da Justiça.

A questão, no dia de hoje, é, assim, simples: Moro, que passou todos estes meses no governo a fazer vergonhosos fretes a Bolsonaro, e que, com a sua presença no executivo, ajudou a avalizá-lo perante a opinião pública, não aguentou tudo o que, em excesso já obsceno, lhe era agora pedido. Ou será que Moro só hoje descobriu quem, na realidade, era Bolsonaro? Ou não terá a sua súbita “coragem” algo a ver com o facto do governo estar já apodrecido e decadente? E se esta saída de Moro estivesse conjugada com o início de um processo de afastamento do presidente? Ou será que ele próprio gostaria de viver no Palácio da Alvorada?

Logo veremos.

notas pouco diárias de Francisco Seixas da Costa

No JN

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