Agora, muitos de quantos que
elogiaram a vedeta do Lavajato, vão afirmar que ele acabou por trair o
presidente que lhe deu um palco político, ferindo-o num momento de uma óbvia
fragilidade.
Outros, mesmo alguns que o
diabolizaram pelo modo como se comportou naquele processo, mas porque lhes dá
muito jeito esta bofetada em Bolsonaro, vão acabar por dizer que o homem saiu
com alguma dignidade, para não ter de fazer mais fretes políticos ao
presidente.
Vamos ser claros: estamos a falar
da mesma pessoa que, independentemente de ter conseguido meter na prisão gente
que bem o merecia, o fez através de uma operação político-judicial cheia de
irregularidades processuais, com finalidades políticas que iam muito para além
dos objetivos da justiça. Um processo que, no fim da linha, teve como
consequência a eleição de uma figura como Jair Bolsonaro, tendo Moro, como
prémio, o lugar de ministro da Justiça.
A questão, no dia de hoje, é,
assim, simples: Moro, que passou todos estes meses no governo a fazer
vergonhosos fretes a Bolsonaro, e que, com a sua presença no executivo, ajudou
a avalizá-lo perante a opinião pública, não aguentou tudo o que, em excesso já
obsceno, lhe era agora pedido. Ou será que Moro só hoje descobriu quem, na
realidade, era Bolsonaro? Ou não terá a sua súbita “coragem” algo a ver com o
facto do governo estar já apodrecido e decadente? E se esta saída de Moro
estivesse conjugada com o início de um processo de afastamento do presidente?
Ou será que ele próprio gostaria de viver no Palácio da Alvorada?
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