Não faltam exemplos dos passos em
falso dados por Marcelo Rebelo de Sousa, quando raciocina de menos e exibe o
esplendor da incontida tendência para agir em função da falível intuição. Na
semana transata percebeu-se o agastamento com António Costa por este decidir
antecipar-se-lhe na visita aos doentes ao Hospital de São João no Porto,
roubando-lhe um protagonismo, que até o faz roer-se todo quando o vê partilhado
com mais alguém. Mas percebia-se a intenção do primeiro-ministro: numa altura
em que a generalidade da imprensa lançava um tal alarido em torno do novo
vírus, que poderia dar ensejo a uma imprevisível histeria coletiva, era
fundamental transmitir a imagem de serenidade por parte de quem estava a agir
competentemente de acordo com a evolução dos acontecimentos.
Nos dias seguintes Marcelo
excedeu-se em alfinetadas ao governo, ironizando com as recomendações de
distanciamento social, que António Costa propunha como elementar medida
preventiva. Abraços e selfies não
faltaram, nomeadamente na visita a Felgueiras, que não tardaria a ser
identificada como cidade particularmente vulnerável a contaminação com o vírus.
Se o caso estava a merecer de
Marcelo uma atitude de desafio aos conselhos emitidos pelo Governo e pela
Direção Geral de Saúde, o que se seguiu passou a ser hilariante: tomando
consciência de que pudera ter sido afetado pelo covid-19, decidiu entrar
imediatamente em quarentena. E, agora que se confirma negativo o teste
prontamente feito para aferir se também engrossaria a estatística dos infetados,
ninguém o tira das cautelas e dos caldos de galinha nas próximas semanas. Para
susto já bastou o deste fim-de-semana e não há como evitar os afetos, que os
prosélitos lhe queiram transmitir tão só ponha um pé na rua.
Um pequeno caso confirma a
inconstância de Marcelo: enquanto Costa nada alterou das regras como
cumprimenta quem contacta no exercício do cargo
- até o homólogo sueco ficou de mão estendida no ar quando o quis
cumprimentar - o auto-enclausurado inquilino de Belém faz o que é costume: vai
de exagero em exagero, ora primando pela displicência irresponsável, ora
aparentando indisfarçada cobardia.
Do blogue Ventos Semeados
Publicada por jorge rocha

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