A minha primeira reação quando ouvi Marcelo alertar para os gastos dos partidos na campanha eleitoral foi a de surpresa. Então, ele vem-nos lembrar, uma vez mais, a forma trapaceira como chegou a Belém? É que não esquecemos como andou a trabalhar para isso aos domingos à noite na SIC e na TVI, até recebendo lauta remuneração por meia-hora de banalidades destinadas a criar o seu perfil mediático depois rentabilizado na habilidosa campanha, que depois transformou num passeio...
É claro que acreditar numa imprudência
de Marcelo não faz qualquer sentido. Ele é demasiado esperto para que o
incomodem os que têm dele a leitura da sua verdadeira personalidade. A esses -
como no meu caso! - ele nunca convencerá. Será sempre o homem sem qualidades,
que impediu quem as tinha de cumprir a missão, que desempenharia com outro
brilho e valor. Seria muito interessante que as televisões voltassem a emitir o
único debate a dois entre Sampaio da Nóvoa e Marcelo para aferir do que aqui
estou a falar. A diferença de argumentos e de cultura entre os dois foi tão
evidente, que Marcelo saiu praticamente achincalhado.
Mas que podia fazer Sampaio da
Nóvoa para contrariar uma estratégia matreira, que Marcelo começara a construir
muitos anos antes? Nem que fossem investidos muitos milhares de euros na
campanha seria fácil contrariar essa fraude. E esses euros não abundavam: houve
muito empenho em voluntários, que estavam cientes do que estava em jogo (e,
sobretudo, estará se, para mal dos nossos pecados, Marcelo conseguir um segundo
mandato!), mas as capacidades financeiras da campanha de Nóvoa era reduzida,
ademais muito controlada pelo Tribunal de Contas, que chegou a deslocar-se à
sede da Amora para conferir cada cêntimo gasto até então não fosse o ardil de
Marcelo resultar num fracasso.
Marcelo confia que a maioria dos
portugueses esqueceu esse pecado original do seu sucesso e intervém para dar o
ensejo aos jornais, às rádios e às televisões para, logo a seguir ao seu
«alerta» lembrarem os gastos do Partido Socialista com a campanha, procurando
apequená-lo junto dos eleitores mais facilmente manipulados pelo seu tique
populista.
A Marcelo dava jeito que os
partidos de esquerda gastassem menos dinheiro nas respetivas campanhas
permitindo que as televisões - meio de desinformação ainda muito relevante na
opção de voto da maioria dos eleitores - selecionassem o que quisessem. Como
estão totalmente enfeudadas à oposição ao governo, imagina-se o que isso
significaria: a constatação de uma campanha frouxa, que diminuiria a distância
agora percetível entre os 60% da esquerda e os 25% da direita. A chatice é que
esse dinheiro da campanha cria eventos de rua, que as direções de informação
estão obrigadas a relatar sob pena de ainda mais se desmascarem como parciais.
Fica assim explicada a afirmação de Marcelo: dar a possibilidade desses
responsáveis pela comunicação social de mostrarem o que não querem, mas sempre
a lembrarem o quanto isso significa em falacioso despesismo.
Publicada por jorge rocha
Do blogue Ventos Semeados

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