A manhã
traz a sondagem da Aximage, que dá a soma do PSD e do CDS a sobrepor-se à do PS
sozinho, o que poderá indiciar a eficácia da estratégia das direitas ao
utilizar o tema dos familiares como arma de arremesso contra o governo.
Ao
contrário de alguns amigos, que dão sinais de preocupação com esta aparente
inflexão na tendência do comportamento do eleitorado, continuo descontraído,
mas com incentivo acrescido para trabalhar ativamente na campanha de rua para
ajudar o partido a desmistificar junto das populações as mentiras com que têm
sido bombardeadas.
Os
indicadores poderão servir igualmente para os parceiros da maioria parlamentar
compreenderem o quanto estão a ser imprudentes ao servirem de idiotas úteis aos
que deverão ser tidos como seus principais inimigos. Quer a CGTP, quer os
bloquistas terão de olhar para o quanto nada têm ganho com as suas críticas,
quantas vezes demagógicas, ao governo, e ponderarem se querem continuar a ter
participação no que de bom vai sendo feito para a vida dos portugueses, ou se
terão alguma vantagem em vê-los novamente submetidos aos ataques das direitas.
Nos
últimos dias, porventura enquanto era feita a consulta aos inquiridos na
sondagem, e nela já não influindo, o Partido Socialista tem sabido reagir muito
positivamente aos ataques, que o pretendem corroer. Vide esse mesmo caso dos
familiares: em vez de se acantonar numa posição de princípio perfeitamente
defensável decidiu partir para o contra-ataque. Se Marcelo julgava
dificultar-lhe a estratégia, passando a liderar a cruzada pela mudança da lei,
logo se viu secundado, e até antecipado pelo projeto lei do PS, que vai até
além do que foi aprovado em França por Macron e que alimentara durante um par
de dias os canais de desinformação afetos às direitas.
O que
se viu entretanto? Afinal os partidos das direitas já não querem lei nenhuma,
nem mesmo a que tem a francesa como
bitola. Agora falam apenas de uma ética, que as suas práticas passadas bem
elucidam quanto ao que valem.
A
preocupação de Marcelo em aparecer com este assunto quase diariamente pode ter
outra explicação: a comissão parlamentar sobre o caso Tancos está a desminar
rapidamente toda a narrativa das direitas em seu torno e, ademais, compromete-o
de forma muito embaraçosa. O episódio servirá, aliás, de exemplo para
demonstrar como as direitas, e o seu Presidente, não enjeitam pôr em causa um
símbolo nacional supostamente acima das tricas partidárias - as Forças Armadas
- para justificar os rocambolescos, mas muito graves atentados ao Estado de
Direito. Por exemplo o comportamento ilegítimo, ilegal e inconstitucional de
Joana Marques Vidal quanto ao apuramento dos factos: como sempre foi timbre no
seu comportamento agiu de forma a dar oportunidade às direitas para se
aproveitarem de um caso de delinquência, transformando-o num clamor político,
que não correspondia à realidade. Com a sua deturpada assumpção de poderes, que
a Lei Fundamental não lhe reconhece, pôs em causa a probidade de pessoas que
nunca tinham dado provas de desmerecerem desse juízo e dando ampla publicidade
a um major oportunista, politicamente orientado pelos interesses das direitas,
para dinamitar o prestígio da instituição em que nunca deveria ter sido aceite.
Marcelo
sabia disso: como professor de Direito Constitucional consciencializou que a Procuradora
Geral da República estava a exorbitar nos seus poderes. Reconheceu-o perante
diversas pessoas presentes na conversa com o chefe da Polícia Judiciária
Militar e prometeu-lhe uma audiência no Palácio de Belém. Sem nunca o ter
convocado para tal. Pudera! Seria desengatilhar uma arma, que pretendia ver
apontada ao governo tanto tempo quanto possível.
As
notícias dos últimos dias vão no sentido, que menos interessam às direitas: sem
argumentos para prosseguirem na demagogia em torno das famílias, e demonstrando-se
quão pífio era afinal o caso do roubo das armas em Tancos, terão de se atirar
para outras direções. E estando abril a molhar o tema da seca, restar-lhes-á,
porventura o diligente afã dos incendiários, que acendam fogos no que ainda
sobra por arder.
A minha
expetativa é que, seguindo a célebre lei de um Rio ganhar súbito influxo antes
de começar a secar, as direitas tenham em maio e outubro os resultados
eleitorais que merecem: o bastante para continuarem a ladrar ruidosamente, mas
irrelevantes no que possam mudar no rumo do país .
Publicada
por jorge rocha à(s) 11:37
Do blogue Ventos Semeados

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