Existe mais um. O empatar. Num jogo de futebol ou qualquer outro existem estes três resultados. O que devem estar preparados os seus antagonistas é para o conforto ou desconforto do resultado. Os vencedores podem demonstrar a sua euforia mas com moderação. Os vencidos podem-na demonstrar com a sua humildade. Foi ao que se assistiu ontem no Estádio da Luz.
Dia de festa. Homenageava-se os sessenta anos de Fernando Chalana e as casas do Benfica espalhadas pelo Mundo. Ao Chalana a homenagem era de sentida tristeza. Às casas do Benfica era de sentido orgulho.
Por isso desde o início do jogo ao seu findar o Estádio da Luz fervilhava de animação. No seu rectângulo competia-se por um dos três resultados: vitória, empate ou derrota. Qualquer um dos antagonistas os podia alcançar.
Logo no início viu-se que a vitória ia sorrir para o Benfica. À medida que os minutos iam passando mais certeza se tinha. O Nacional da Madeira, era a equipa em confronto, tudo fazia para contornar aquele resultado. Só que cada vez era mais impossível. Os jogadores do Benfica estavam endiabrados.
Chegou o seu final. Com um resultado que já não se usa mas possível como ficou demonstrado. Os jogadores do Nacional a cada golo que sofriam mostravam a sua tristeza. Os do Benfica reagiam mas não com exuberância. Sabiam que do outro lado estavam homens.
Homens que tiveram um dia mau mas que nunca viravam a cara à luta. E Deus sabe o que deve ter custado aqueles noventa minutos. Podia um a um fazer-se aleijado e o encontro terminar por falta de elementos suficientes e o árbitro dar o jogo por findo. Mas não! Preferiram arcar com a cruz. O desporto é isto. Estar em campo nos bons e maus momentos.
Foram bonitas as declarações e o conforto dos jogadores do Benfica e do seu treinador aos seus antagonistas. Bruno Lage até disse: já estive dos dois lados. Sabe o que é viver com o Fortúnio e Infortúnio. É como disse: já esteve dos dois lados.
Quanto aos adeptos também não se viu exuberância. Souberam estar ao nível dos acontecimentos. Para o Nacional da Madeira uma palavra de carinho.
Estive na Madeira de mil novecentos e noventa e nove a dois mil e dois e ganhei simpatia pelo Nacional. Mais a mais que quem tratava da relva do Estádio Rui Alves hoje Estádio da Madeira era uma equipa de reclusos do Estabelecimento Prisional do Funchal. Prestava ali serviço e por esse motivo ganhei a tal simpatia de que falo.
E há que saber conviver com o ganhar e perder. Por vezes perde-se uma batalha mas não a guerra.
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