Dois recuos, e uma posição digna de elogio, é o que se pode aferir da prestação de Marcelo Rebelo de Sousa no regresso aos écrãs da antiga equipa de comentadores da «Quadratura do Círculo».
Dos dois recuos, um é positivo, o outro é-o menos. O primeiro teve a
ver com o que fará, quando lhe chegar o pedido de promulgação da Lei de Bases
da Saúde, aprovada no Parlamento. Se anteriormente, afirmara-se disposto a
vetá-la se não tivesse o ámen do seu Partido, agora, perante a forte
probabilidade de uma derrota no confronto direto com António Costa e com a
esquerda parlamentar, deu o dito pelo não dito, condicionando a decisão ao que
for o seu conteúdo.
Não nos iludamos quanto à possibilidade de ter havido na sua
consciência uma mudança de posição: ele mantem-se ideologicamente igual a quem
foi no passado, quando votou contra a existência do Serviço Nacional de Saúde.
Mas, tendo pesado os prós e os contras, concluiu ser preferível o seguimento da
regra “se não podes combatê-los, junta-te a eles”.
O recuo menos positivo teve a ver com o implícito arrependimento de ter
visitado o Bairro Jamaica sem ter dado prévio colinho aos polícias. Sobretudo,
quando aquele arauto da honra da corporação (e conhecido por ter sido o
organizador de mediático organizador de ação de apoio a Passos Coelho, na fase
de pré-campanha das eleições legislativas de 2011!) veio proclamar-se indignado
num tom desrespeitoso para com o criticado. Se o gesto de Marcelo fora
importante para combater a cultura de racismo, que ganhara dimensões
inaceitáveis nas gentes das direitas e nalguns polícias, mormente nos
infiltrados pelos neofascistas, para aí polarizarem os conflitos acomodáveis
nas suas intenções, esse passo atrás só pode qualificar-se de lamentável. O
benefício imediato do gesto vê-se agora prejudicado pelo gáudio do
contestatário por lhe ter sido dada imerecido crédito.
Redimiu-se, porém, com a posição firme contra a greve dos enfermeiros,
que considerou intolerável. Se a generalidade da população portuguesa está
contra uma campanha política, que põe em causa a saúde dos que mais carecem ser
assistidos, a opinião de Marcelo poderá ter inclinado para essa posição
maioritária os que ainda duvidavam da legitimidade do governo para ter
decretado a requisição civil. Mesmo que se tenha visto depois, no «Eixo do
Mal», um dos opinadores de serviço recorrer a uma ínvia argumentação para
tentar justificar o injustificável, convenhamos que, para o bem e par ao mal,
os que possam ser influenciados por Marcelo são bem mais do que quem porfia em
dar crédito a Pedro Marques Lopes.
Publicada por jorge rocha à(s) 13:16
Do blogue Ventos Semeados

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