Só não gosto das de embalar porque cheguei a uma idade que só a realidade é que conta para mim. Depois temos os contadores de história que as conta à sua maneira. E de histórias anda Freamunde farto.
É o que nos tem contado os “mandadores” deste concelho. Promessa mais promessa, história mais história. Só que Freamunde parece adormecido. Ou por outra. Parece aquele rapazinho que levou um castigo injusto. Depois para desculpar-se o castigador oferece-lhe um rebuçado.
Vamos dizer a esses “mandadores” que estamos fartos da oferta de rebuçados. Queremos o que temos direito. Não vamos deixar de o exigir. Não vamos ficar à porta como o homem da história que conto a seguir. Assim mais tarde não vêm com a desculpa de que a porta estava aberta. Era só empurra-la.
“Kafka: a porta da lei
Um homem que procura a justiça, caminha até o Palácio da Lei. Diante da porta do palácio, um soldado monta a guarda.
Como o sentinela não lhe dirige uma palavra, o homem resolve esperar. Espera um dia, mas o guarda continua mudo.
'Se eu ficar por aqui, ele perceberá que eu quero entrar' pensa o homem. E ali permanece.
Passam-se dias, semanas, e anos inteiros. O homem continua diante da porta, e o sentinela continua montando guarda.
As décadas passam, o homem envelhece, e já não consegue mover-se. Finalmente, quando nota que a morte se aproxima, reúne suas últimas forças e pergunta ao guarda:
- Eu vim até aqui em busca de justiça. Por que você não me deixou entrar?
- Eu não lhe deixei? - responde, surpreso, o sentinela. - Você nunca me disse o que estava fazendo aí! A porta estava aberta, bastava empurrá-la. Por que você não entrou?”
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