Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência. Uso este
sofisma para dar forma ao que se vai passando “entre portas” que é o mesmo que
dizer neste “admirável” concelho em que só existe a sua sede e o resto é
paisagem.
Pelo menos é o sentir desta terra que derivado aos seus antepassados
fizeram de uma coutada, uma aldeia, depois uma vila e, hoje uma cidade, que em
tempos primórdios se chamou Fredemundus. «(Frieden, Paz) (Munde, Protecção).»
Mais tarde Freamunde. "Acarinhem-na. Ela vem dos pedregulhos e das lutas
tribais, cansada do percurso e dos homens. Ela vem do tempo para vencer o
Tempo."
Se este era o sentir dos nossos antepassados deve de ser hoje o sentir
de todos nós. Não darmos tréguas a quem por nós não tem consideração. Assim
devemos pagar com a mesma moeda.
Aqui vai a tal “semelhança com a realidade”
“Jorge Luís Borges: O grande mapa
Certo rei encomendou aos geógrafos um mapa do país. Mas exigiu que tal
mapa fosse perfeito, com todos os detalhes. Os geógrafos mediram todos os
locais, e fizeram um rascunho. Um deles comentou que ainda faltavam detalhes de
rios.
Resolveram refazer o desenho numa escala bem maior. Quando ficou
pronto, o mapa estava do tamanho do primeiro andar de um edifício; mesmo assim,
alguns conselheiros do rei argumentaram:
- Não dá para ver os caminhos nos bosques.
E os sábios geógrafos foram desenhando mapas cada vez maiores, com
detalhes e mais detalhes do país.
Quando, finalmente, conseguiram o mapa perfeito, chamaram o rei e o
levaram a um imenso deserto. Ali chegando, mostraram uma estranha tenda, que se
estendia até o horizonte.
- O que é isso?
- O mapa do país - responderam os geógrafos. - Como quisemos fazê-lo o
mais próximo da realidade, ele ficou tão grande que ocupa o deserto inteiro.
- O medo de errar, na maior parte das vezes, termina nos conduzindo ao
próprio erro - comentou o rei. - O mapa é tão detalhado, que não serve para
nada.
E mandou enforcar os geógrafos.”
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