sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Lá está triste e amargurado:

Há muito que ali está exposto. Quando ali foi colocado toda a gente o admirou e ouvia a suas preces. Todos os Freamundenses que por ali passavam admiravam o seu porte. Trabalhava com ardor embora se sentisse o seu alívio na descida e a aflição na subida. Mas lá ia caminhando. Os anos foram passando e a sua robustez definhando. Acontece com todos. Por várias vezes se “calou”. Mas com a ida ao “médico” lá voltava a “falar”. Quem se regulava por ele, nas suas más horas, andava desorientado. Não sabia a quantas horas andava.

Ainda me lembro quando era menino e moço da maneira como fazíamos para saber a quantas andávamos. Espetávamos um espeto, salvo a redundância, sobre o solo, a uma hora que nos interessasse. Onde o Sol mais incidia. Assim nos regulávamos. O pior era quando não havia Sol. Nos dias de chuva, lá andávamos todos às aranhas. Todos não. Os de maior posse estavam prevenidos.


Derivado a estar ao sabor do tempo a sua força acabou. Hoje só se ouve às meias horas e horas certas. Já não caminha alegremente. Antes víamos o seu caminhar. De passo lento mas cumpria a sua missão. Aos quartos, meias, três quartos e quatro quartos lá ouvíamos o Ave- maria. Hoje, como disse, está abandonado.

Numa terra de gente laboriosa como Freamunde não há quem dê vida ao nosso velhinho Relógio da Igreja Matriz. É pena. É dele que falo porque muitas vezes dele me socorria. Tempos em que não havia tanta tecnologia. Hoje todos os aparelhos são munidos de um relógio: Telemóveis, Televisões, Rádios e mais aparelhos. E será por isso que relegamos coisas que fazem parte da nossa memória e que tão útil nos foi.
Em Freamunde estão a acabar certas tradições. Dá-me pena. Mas a vida é isto mesmo. Não devia ser. Porque eu e muitos como eu estamos a caminhar para o nosso fim mas gostamos de ser lembrados.
Assim julgo que se pudesse dar personificação (vida) ao Relógio da Igreja Matriz ele ao nos dar as horas cantava todo garboso o Ave-maria.

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