sábado, 20 de maio de 2017

Há LIMITES para a falta de DECÊNCIA:

Uma das notícias que mais agitou esta semana em Portugal foi a notícia, divulgada exaustivamente pelo Correio da Manhã, de uma “não notícia”.
Aparentemente um conjunto de estudantes universitários, daqueles que são o futuro do País, membros desta nova geração que se intitula de “geração mais bem preparada de todas” deram um espetáculo deprimente a bordo de um veículo de transporte público.
Digo “aparentemente” porque não vi o ultrajantemente famoso vídeo do evento. Recuso-me a vê-lo e, com isso, colaborar com o crime de devassa que foi cometido pelo Correio da Manhã (Jornal e Televisão) dirigido (?) por Octávio Ribeiro.
O acontecimento: No decurso das celebrações universitárias, uma jovem aparentemente embriagada e incapaz de discernir exatamente o que se estava a passar foi masturbada em público por um companheiro, enquanto um grupo de universitários assistia, aplaudia, incitava e filmava.
Não havia, portanto, a bordo do veículo qualquer verdadeiro Ser Humano capaz de intervir e impedir a situação.
O filme foi divulgado num grupo secreto do Facebook formado por “homens” (a palavra é, seguramente, um excesso, uma figura de estilo) que se diverte com este tipo de coisas. Um pouco como aqueles pervertidos que visitam assiduamente as praias de nudismo por não terem, de outra forma, qualquer capacidade de estarem perto de uma mulher nua.
Nas redes sociais (Facebook e, principalmente, Twitter) o debate foi fervoroso sobre a culpabilidade do evento.
Houve quem atribuísse culpas:
- Aos pais da jovem por não a terem educado a não se etilizar;
- À jovem por se ter etilizado ao ponto de não se poder defender;
- Às Universidades porque permitiram que celebrações, como a da “queima das fitas”, tenham perdido todo o seu cunho académico para se transformarem em demonstrações grotescas do quão baixo podem descer as Pessoas em termos civilizacionais;
- Às empresas produtoras e comercializadoras de bebidas alcoólicas que se tornaram os principais patrocinadores deste tipo de eventos e foram o motor da sua transformação de atos académicos em atos coletivos de barbárie;
- Ao companheiro da jovem, imediatamente rotulado de “violador”, por ter perpetrado o ato de violação sexual;
- Aos arremedos de Seres Humanos que, no interior do veículo incitaram e celebraram o ato;
- Ao portador do telemóvel que dementemente filmou toda a cena;
- Aos pervertidos, socialmente impotentes, que partilharam o filme no seu “grupo secreto de perversão”;
- Etc…
Confesso que pouco me diz que a jovem, envergonhada, não queira apresentar queixa para não se sentir, pela exposição, mais violentada do que já foi. Seja qual for o prisma de análise, as atenuantes da embriaguez, as transmutações de comportamentos pela selvajaria coletiva, EXISTIU mesmo um ato de violação que, infelizmente, vai passar completamente IMPUNE.
Mas, na minha modesta opinião, este NÃO é o cerne da questão. O ponto fundamental é que um órgão de comunicação social, OFICIAL, regulado pela ERC – Alta Autoridade para a Comunicação Social, resolveu publicitar o vídeo em questão.
Uma jovem, embriagada, foi sexualmente violentada por um irracional, na presença de selvagens impotentes e filmada por um pervertido e o Correio da Manhã o melhor que soube fazer foi PUBLICAR o vídeo.
O vídeo foi filmado e divulgado por sociopatas. Isso é CRIME e, como tal, deveria ser investigado pelas autoridades e julgado pela Justiça.
O mesmo vídeo foi divulgado pelo Correio da Manhã UNICAMENTE com o intuito de GANHAR DINHEIRO (“clicks” e “page views” são dinheiro em caixa). Isto, além de CRIME é, principalmente, um ato do mais vil mercantilismo da equipa liderada (?) por Octávio Ribeiro. E isso, mais do que julgado pela Justiça deveria ser CASTIGADO por toda a Sociedade.
Se em Portugal fossemos TODOS Seres Humanos, este tipo de jornalismo seria fortemente condenado e o vídeo teria ZERO visualizações. Infelizmente não somos e houve algumas pessoas que viram o vídeo, seja por curiosidade mórbida, alguns, seja por impotência sexual e/ou social, a maioria.
Sejamos justos, o jornalismo não está, ainda, verdadeiramente condenado. Alguns jornalistas, de outras publicações, insurgiram-se e juntaram a sua voz à das pessoas, como eu, que acham que o principal CRIMINOSO não é NENHUM dos anteriores mas sim o Correio da Manhã.
Que os jornalistas da COFINA não possam criticar, aceita-se. São pessoas que precisam do seu emprego para sustentar as suas famílias. E o Diretor (?) Octávio Ribeiro jamais permitiria semelhante insubordinação.
O mesmo não se passa com as figuras públicas (e são muitas), governantes, deputados, autarcas, juízes, sindicalistas ou professores universitários, entre outros, que publicam os seus textos no Correio da Manhã e aos quais se EXIGE que tomem uma posição PÚBLICA de condenação INEQUÍVOCA da orientação editorial do Correio da Manhã e do seu Diretor (?).
Porque há LIMITES para a falta de DECÊNCIA, como cidadão fica aqui o meu pedido: DEMARQUEM-SE deste esterco em que se transformou o jornal e a sua televisão.
***
Lista (não exaustiva) de Colunistas do Correio da Manhã que deveriam vir a público condenar o ato:
Eduardo Dâmaso, Diretor da Sábado
Raul Vaz, Diretor do Jornal de Negócios
Assunção Cristas, Líder do CDS-PP
Eduardo Cabrita, Ministro e Deputado pelo PS
Miguel Poiares Maduro, ex-Ministro pelo PSD
Pedro Santana Lopes, Provedor da SCML e ex-Presidente do PSD
Luis Campos Ferreira, Deputado do PSD
Pedro Filipe Soares, Deputado pelo BE
Francisco José Viegas, ex-Secretário de Estado da Cultura e ex-Deputado do PSD
Ana Gomes, Deputada Europeia pelo PS
António Marinho Pinto, Deputado Europeu pelo MPT
José Inácio Faria, Deputado Europeu pelo MPT
Joana Amaral Dias, Psicóloga e ex-Deputada do BE
Fernando Medina, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa pelo PS
Rui Moreira, Presidente da Câmara Municipal do Porto pelo CDS
Ricardo Rio, Presidente da Câmara Municipal de Braga pelo PSD
Almeida Henriques, Presidente da Câmara Municipal de Viseu pelo PSD
Francisco Moita Flores, ex-Presidente da Câmara Municipal de Santarém pelo PSD
Paulo Morais, Professor da Universidade Portucalense e ex-Vice Presidente da Câmara Municipal do Porto pelo PSD
Eduardo Cintra Torres, Professor na Universidade Católica
João Pereira Coutinho, Professor na Universidade Católica
Fernando Ilharco, Professor na Universidade Católica
André Ventura, Professor na Universidade Nova de Lisboa
Reginaldo Rodrigues de Almeida, Professor da Universidade Autónoma
Fernanda Palma, Professora na Universidade de Lisboa
Miguel Guimarães, Bastonário da Ordem dos Médicos
José Manuel Silva, ex-Bastonário da Ordem dos Médicos
António Jaime Martins, Presidente do CRL da Ordem dos Advogados
D. José Cordeiro, Bispo de Bragança
Padre António Rego, Padre Católico e Jornalista Eclesiástico
Fernando Calado Rodrigues, Padre Católico e Jornalista Eclesiástico
Eugénio da Fonseca, Presidente da Cáritas Portuguesa
Mário Nogueira, Dirigente Sindical dos Professores
Acácio Pereira, Dirigente Sindical do SEF
Filipe Preces, Dirigente Sindical dos Magistrados
César Nogueira, Dirigente da Associação de Profissionais da GNR
António José Fialho, Juiz do Tribunal de Menores
Jorge Alves Correia, Membro do Conselho Superior da Magistratura
Ivone Cordeiro, Advogada
António Pedro Vasconcelos, Cineasta
Boss AC, Músico
José Diogo Quintela, Empresário e Humorista

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