sábado, 13 de maio de 2017

Bem precisam:

Institutos da direita ganham novo fôlego para debater ideias

A decadência da direita portuguesa tem a sua origem no sucesso do cavaquismo. Uma banal história da valência do lugar-comum “o poder corrompe”. Depois, acrescentou-se um momento simbólico desta mesmíssima decadência, com a traição de Barroso ao abandonar o Governo de Portugal para ir tratar da governança dos milhares de milhões de euros europeus. É uma traição, retinta, porque Barroso tinha declarado ao eleitorado antes das eleições de 2002 que a sua mais importante missão na vida seria chegar a primeiro-ministro. Em seu favor, há que reconhecer que ele nunca explicou por que razão dava tanta importância ao exercício desse cargo. A descoberta das suas mais profundas motivações veio tarde de mais para o interesse nacional. Seguiram-se Santana Lopes, Marques Mendes, Luís Filipe Menezes, Ferreira Leite e Passos Coelho. Uma galeria de horrores quando comparados com Sá Carneiro. Ao lado, o PSD foi convivendo em sinergia com Paulo Portas, mais um exemplo acabado do que é o triunfo do oportunismo e da demagogia.
A decadência da direita, acirrada ao máximo no páreo com o PS de Sócrates e seus quadros dirigentes e governativos, consiste em terem trocado o confronto de ideias e projectos pela chicana, pelas golpadas e pelo assassinato de carácter. Para tal, foi crucial a influência de Cavaco a partir de 2007, permitindo, e ele próprio alimentando e assumindo, o uso de todas as armas do arsenal da baixa política – e até algo mais, de facto criminoso, como foi a “Inventona de Belém”, por exemplo. A violência desta resposta da direita compreende-se à luz da crise económica que fez ruir a sua estrutura de poder bancário e também como impotência perante as superiores capacidades políticas de Sócrates e da sua equipa. Mas é o que é, decadente.
A decadência da direita atinge o seu ponto cimeiro no chumbo do PEC 4 e no logro eleitoralista que se seguiu. Mais duas traições ao interesse nacional e, inclusive, aos valores tradicionais da direita portuguesa, aqueles da social-democracia e do patriotismo. O ataque aos portugueses, aproveitando a desculpa da invasão estrangeira, que Passos e Portas levaram a efeito não deve ser esquecido, devia era ser estudado.
Os advogados que vão para a política sentem-se como se estivessem na escola, daí a sua sempiterna jovialidade. Sabem que só precisam de debitar umas cagadas para terem jornalistas à volta e poderem ir jantar em paz com o sentimento do dever cumprido. São “políticos”, e o “fazer política” para figuras típicas da actual direita como Montenegro, Aguiar-Branco, Nuno Melo e dezenas doutros, não passa de uma actividade circense onde o critério da vitória é o boicote à mensagem do adversário e a ilusão de que a comunidade dá atenção às vacuidades que largam automaticamente nisso do “fazer política”.

Pois é, talvez já seja tempo de começarem a usar a cabeça para pensar em algo distinto do vosso umbigo.


Do blogue (Aspirina B)












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