quinta-feira, 11 de maio de 2017

A estranha maldição dos postos de combustível:

Foi Hegel quem disse que a História repete-se sempre, pelo menos duas vezes. E Karl Marx acrescentou que a primeira como tragédia e a segunda como farsa.

Nas décadas mais recentes temos sido assombrados por essas figuras sinistras que têm sido os filhos dos gasolineiros.

Se se dedicam ao negócio, não há nada a apontar-lhes, o problema é quando passam a ter pretensões políticas.

Cavaco foi uma tragédia, quer como primeiro-ministro, quer como presidente da República. Acaso tivesse cingido a ambição a tomar conta do posto de combustível de Boliqueime assessorando o pai, não teria causado tanto dano aos compatriotas, que vêm pagando com língua de palmo os efeitos das suas conceções macroeconómicas e ideológicas aplicadas à governação.

Assunção Cristas deveria ater-se a este exemplo e ajudar o progenitor a melhor gerir o negócio da família. Mas também ela foi tomada pelo fascínio do poder. Os acontecimentos vão ditando o cumprimento daquela ilação empírica de Karl Marx a propósito da evolução da História. Não lhe assiste o mínimo sentido do ridículo, quando enche o peito de ar e propõe vinte novas estações de metropolitano para a cidade de Lisboa.

Alguém a terá levado a sério? A reação imediata não terá sido a de ver em tal bravata o exemplo descarado da politiquice mais destemperada apenas tendo por estímulo a conquista de alguns votos na pugna eleitoral que se aproxima?

Se algum gasolineiro me estiver a ler dou-lhe sincero conselho: nunca estimule os seus filhos a dedicarem-se à política. É que, se não der desastre, resulta por certo em disparate…

A frase hegeliana-marxista também se anda a aplicar à política norte-americana: se não fossem os ignorantes, que já demonstraram ser, ps conselheiros de Trump teriam aprendido como o início do fim do consulado de Nixon na Casa Branca aconteceu quando a então Administração decidiu afastar os que estavam a investigar o assalto ao edifício Watergate.

De nada valeu a Nixon ter tirado fotografias com Mao Zedong na Muralha da China, nem a perspicácia assustadora de Kissinger para evitar a derrocada. Os conselheiros de Trump poderiam, por isso mesmo, evitado que ele afastasse o diretor do FBI, a quem aliás deviam o favor de, em plena campanha presidencial, ter colaborado ativamente na destruição da imagem pública de Hillary Clinton.

Uma vez mais a História repete-se. Nixon pode ser recordado como tendo liderado uma Administração, que se atolou tragicamente no Vietname, à conta de muito napalm e de bombardeamentos incessantes, causando milhares de vítimas nas populações de três países da Indochina e na juventude norte-americana de então.

Na sua manifesta estupidez e arrogância, Trump arrisca-se a sair de cena como farsante, que terá julgado possível traduzir na política, o seu mau carácter nos negócios. Trapaceiro e prepotente, dará porventura origem a novos vocábulos para melhor definir o que de pior pode haver no exercício do poder.

Quinta-feira, 11 de Maio de 2017

No blogue (Ventos Semeados)

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