sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

A NORMAL ANORMALIDADE!

Eu vou escrever, estou a escrever aliás, este texto sem rede, isto é, sem qualquer preparação anterior e apenas porque me deu um impulso. Acreditem ou não, é a pura verdade.
E vem a propósito do caso dos já mais que fedorentos SMS,s do Ministro das Finanças para o anterior e autoexcluído presidente da CGD , e que um emissário chamado Lobo Xavier, distinto fiscalista, famoso advogado e digno zelote do bem e da moral públicos, foi levar ao Presidente.
Eu já diversas vezes no meu BLOG, neste Blog, falei deste tema- da anormalidade tornada coisa normal- e lembrei-me que, há muitas anos atrás, numa empresa onde trabalhei, recebi um telemóvel que era um “upgrade” de um superior, como era normal, e fui confrontado com o facto de ele não se ter dado ao cuidado de limpar as mensagens, SMS.s, que tinha guardadas.
Que é que eu fiz? O NORMAL! Ao ler a primeira palavra da primeira mensagem apaguei-as logo todas! O que qualquer pessoa NORMAL faria! E, como pessoa NORMAL, foi o que fiz. Não me diziam respeito, não me interessavam, não me acrescentavam nada (segredos tenho eu muitos e que guardarei para toda a vida, tal como fui ensinado) e, portanto, nunca me passando pela cabeça alguma vez as utilizar como “arma” fosse para o que fosse, apaguei tudo.
Fiz um exercício de natureza da normalidade, mas que agora, nos tempos que correm, não é nada normal. Isto é, quanto mais soubermos dos outros, supondo serem semelhantes a nós, mais nos defendemos, mais nos protegemos e, assim, mais os podemos atacar. É a nova normalidade, mas que eu continuo a considerar ANORMAL.
Logo às vinte e três vou ouvir a Quadratura do Círculo e constatar a explicação que terá Lobo Xavier para o facto de, substituindo o interessado, António Domingues, ter sido ele, qual emissário, a ter levado a “carta a Garcia”, em vez do próprio, único e dono senhor do seu telemóvel e respectivos SMS,s. Normal? Não, e de todo! Um frete e um desprezível frete. E digo-o antes de o ouvir pois, como sempre se diz, a primeira impressão é a que conta.
Atitude desprezível, não tenho dúvidas mas, pelo que se tem vindo a constatar, do âmbito da nova NORMALIDADE! Mas ANORMAL, repito.
A gente na vida e por força das circunstâncias, tais como o dever de obediência a superiores ou a regras, como o dever de solidariedade em causas comuns, como o dever da integridade ou mesmo como dever da lealdade perante interesses que são de todos (numa empresa, numa família, em qualquer organização e mesmo no Estado), temos a exigência máxima da sobriedade e do sigilo. E do recato também. E, mesmo, às vezes, não globalmente concordando, acatamos e cumprimos o nosso dever.
Mas nada disso desculpa o conúbio, o saber privilegiado e o exercício desse conhecimento pessoal, em prol de algo que, à partida, não lhe diz respeito. Ignóbil é a palavra que me surge.
Como ignóbil, não falando já do desejado aproveitamento da nossa Direita deste lamentável caso, é mais esta tentativa de tornar NORMAL tudo aquilo que, sendo da esfera pessoal, passa a ANORMALIDADE, em todos os sentidos que os queiramos definir, seja do ramo da moral, da ética, do respeito pelo outro, pela sua intimidade, pela sua reserva e pela sua integridade, a fazer parte da NORMALIDADE.
E aqui reside a minha maior tristeza…

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