quarta-feira, 29 de julho de 2015

Frango caseiro e frango do aviário:

Quem gosta de um bom arroz de cabidela de certeza que o prefere com frango caseiro. É que a sua carne e sangue tem um paladar diferente do frango do aviário. Sabe-se, que por várias razões, a sua alimentação é diferenciada. Um é criado ao lar livre e assim pode saborear os vários alimentos que a mãe natureza lhe dá. O outro - frango do aviário - é criado à base de produtos de engorda e à luz de lâmpadas de iodo.
Peguei nesta comparação e quis servi-la de intróito a uma notícia veiculada pelo semanário TVS (Jornal Terras do Vale do Sousa) semanário, que do Vale do Sousa só dá relevo a Lousada, de um texto de Joaquim Gonçalves, Presidente da LADEC (Lousada Associação de Eventos Culturais), que foi a organizadora das Festas do Concelho de Lousada em honra do Senhor dos Aflitos.
Diz o senhor a páginas tantas e, sem que ninguém lhe pedisse comparações, que as festas do Senhor dos Aflitos são as melhores que se realizam no Vale do Sousa, indo ao ponto de as classificar superiores às Sebastianas de Freamunde. Gostos não se discutem. Já se discute o que se leva a esses gostos.
Como se sabe em Freamunde a Comissão de Festas é eleita pela Comissão cessante e dada a conhecer na missa em Honra do Mártir S. Sebastião. Na terça-feira a seguir às festas é-lhes oferecido um jantar e a a passagem de testemunho para trezentos e sessenta e cinco dias de trabalho. É um ano de intenso trabalho onde se tem de adquirir força de vontade e muitas ideias para se pôr em prática.
Não é antes uns dias arranjar uma associação, dar-lhe uma “pipa de massa”, o que acontece com várias câmaras municipais, e essas associações tratarem de todo o programa da festa. Não! Tem de haver sentimento. Desse sentimento nasce o que muita gente apelida de bairrismo. E a freguesia de Freamunde tem carradas dele.
O senhor Joaquim Gonçalves faz comparações do incomparável. Freamunde não precisa do apoio - não é concelho - das muitas freguesias como é o caso de Lousada. A Comissão das Sebastianas através de si e dos habitantes de Freamunde faz das tripas coração para durante dez ou mais dias a sua gente sentir orgulho neste torrão que tais filhos gerou. É nisto que está o bairrismo.
As suas colectividades e associações dão as mãos para que as Sebastianas sejam um sucesso. É o que faz com o concurso nacional de quadras ao Mártir S. Sebastião que todos os anos a Associação Cultural e Recreativa Pedaços de Nós organiza. “Ai se eu pudesse faria / De Freamunde, um altar, / Na toalha bordaria / Festa e bombos a rufar”.
Durante mais de seis meses vários artesões de Freamunde oferecem o seu préstimo, após a hora laboral, para confeccionar os carros alegóricos que vão abrilhantar as Grandiosas Marchas. Sobre um tema da autoria da Comissão de Festas e o material a expensas desta, lá vão construindo o que na passagem da marcha deixa muitos Freamundenses e forasteiros de boca aberta.
São coisas assim que deixam no pensamento de quem nos visita o tal bairrismo. E em quem tem a responsabilidade de tal empreendimento, muitas vezes com sangue, suor e lágrimas, aquando seu término ficar com um sentimento de dever cumprido. É um ano em que as Sebastianas se sobrepuseram à família dos elementos que compõem a Comissão de Festas. E quem lho diz senhor Joaquim Gonçalves já passou por isso. Não somos como o senhor um agente de festas que da maneira como compara as Festas Sebastianas parece que está a pretender também vir a ser um agente das Sebastianas. Para seu conhecimento advirto-o que isso é impossível. Se porventura, um dia não houvesse quem não tomasse conta das Festas Sebastianas, não faltava nas Comissões cessantes a ombrear com tal tarefa. Mais uma vez refiro: isto é que é bairrismo. Freamunde à nascença dos seus filhos unge-os com esse sentimento.
Depois não temos complexos de inferioridade. Sabemos o que valemos. E nunca nos comparamos com outras festas que se realizam no Vale do Sousa e seus arredores. Para prova disso até somos os primeiros a celebrá-las. Por isso não as copiamos como fazem muitos.
No que toca ao cartaz musical já passou por aqui de tudo que de melhor há no País: Pedro Barroso, Rui Veloso, Jorge Palma, Ana Moura, Carminho, Emanuel, Quim Barreiros, Trovantes, Xutos e Pontapés, Azeitonas, Diabo na Cruz e tantos outros que não nomeio mais com receio de me esquecer deles. Mesmo no aspecto do cartaz musical há imensos anos que somos obreiros destes eventos.
Muita coisa havia para dizer. Mas vou referir somente os eventos que as Comissões das Festas levam a efeito durante o ano: sorteios, festa do festeiro, torneios de futebol de salão, sueca, abertura diariamente do café das Sebastianas, leilões, peditórios por todas as casas de Freamunde, etc., etc.
Perante isto gostava que me dissesse senhor Joaquim Gonçalves se as “Grandiosas Festas de Lousada” têm estes condimentos. É claro que não. Antes uns quinze dias, a Câmara Municipal, arranja uma verba assim como um agente e dá início às “Grandes Festas de Lousada”. E como no futebol há agentes dos jogadores, estes, também estão a chegar às festas.

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