Rádio Freamunde

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quinta-feira, 22 de maio de 2014

Pessoas que sabe bem recordar:

Fui ontem assistir à Noite de Poesia no auditório Fernando Santos, dedicada ao mesmo, na comemoração dos vinte anos da sua inauguração. O auditório não estava cheio, não encontro razões para a ausência de várias instituições Freamundenses que muito devem a Fernando Santos. Não vou enumerar quais, mas são das mais representativas de Freamunde e, Fernando Santos na sua vivência colaborou com quase todas elas. Mas adelante.
A sessão começou com a leitura de um texto de autoria de Joaquim Pinto (Quinzinho Pinto) lido pela D. Luísa Tojal, em que relata a origem de Fernando Santos e como apareceu em Freamunde, uma vez que é natural do Porto e muitas vezes é difícil compreender o trocar da cidade pela aldeia. Mas o beber água do fontenário do Agrelo ou a relação do amor muitas das vezes a isso obriga. Foi o que aconteceu com Fernando Santos.
Depois D. Luísa chamou ao palco a Presidente da Junta de Freguesia, Armanda Fernandez, que fez uma pequena alocução das virtudes de Fernando Santos por Freamunde e a sua cultura. Também fez uma pequena resenha da vida de Fernando, Chico Graça, em representação do Grupo Teatral Freamundense que também se associou a esta efeméride. Entrou comovido. E, só por isso se desculpa a não saudação aos presentes. Foi a vez Humberto Brito, Presidente da Câmara Municipal de Paços de Ferreira, que a eventos destes nunca falha, mais a mais que ontem jogava-se em Paços de Ferreira o playof entre o F. C. Paços de Ferreira e Desportivo das Aves. Fez o elogio a Fernando Santos onde foi muito aplaudido. Aliás os antecessores também o foram.
Até que se entrou na Noite de Poesia. Tudo temas de Fernando Santos. Foi um prazer ouvir e as declamações foram primorosas. Notou-se que houve trabalho anterior. Falou-se de “Freamunde é Coisa Boa” levado à cena há uns bons pares de anos. Para abrilhantar Nani Santos, filho do homenageado, interpretou o “Azul da Camisola”, sem antes fazer um pequeno intróito como muitos se referem ao Auditório Fernando Santos. A maioria das vezes é denominada como Casa da Cultura em vez de se dizer que certo evento teve ou vai ter lugar no Auditório Fernando Santos. Quanto a mim intróito assertivo. As “coisas” devem ser tratadas pelo próprio nome para não usar uma metáfora mais imprópria. O “Azul da Camisola” foi trauteado por quase toda assistência. Mais coisas se seguiram e como não podia deixar de ser também vieram alguns trechos da Opereta Gandarela.
Enquanto isto vinha à minha memória recordações infantis. As brincadeiras de criança tais como o jogar ao esconde, esconde, aos cowboys, ao salta pocinha, brincadeiras essas que eram frequentemente passadas no lugar do Calvário próximo da casa do senhor Santos como a apelidávamos. O recordar o dia em que o Nani nos disse que o pai tinha comprado um rádio onde se via as pessoas. Todos ficamos boquiabertos. Podia lá ser! Mas era verdade e o Nani não era nenhum Passos Coelho (aldrabão). A partir daí éramos assistentes assíduos aos programas infantis da época. Estou a referir isto porque sempre que para ali íamos na hora do lanche a D. Brazinda nos chamava também para petiscar algo. E sabia bem um pão de trigo e manteiga. Era de comer e chorar por mais. A família Santos para mim foi das famílias mais bondosas de Freamunde. E… ousa-se dizer que por trás de um grande homem está sempre uma grande mulher. Era o que acontecia com a D. Brazinda.
Por isso a minha admiração da falta de muita gente que devia de ali estar ontem. Fernando Santos foi um dos pais da cultura Freamundense se não o pai. Assim aproveito este modesto texto para lhe ficar obrigado. Homens destes não deviam morrer embora saiba que enquanto houver em Freamunde D. Luísa Tojal as pessoas só morrem fisicamente.   

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