Fui ontem assistir à Noite de Poesia no auditório Fernando Santos,
dedicada ao mesmo, na comemoração dos vinte anos da sua inauguração. O
auditório não estava cheio, não encontro razões para a ausência de várias
instituições Freamundenses que muito devem a Fernando Santos. Não vou enumerar
quais, mas são das mais representativas de Freamunde e, Fernando Santos na sua
vivência colaborou com quase todas elas. Mas adelante.
A sessão começou com a leitura de um texto de autoria de Joaquim Pinto (Quinzinho
Pinto) lido pela D. Luísa Tojal, em que relata a origem de Fernando Santos e
como apareceu em Freamunde, uma vez que é natural do Porto e muitas vezes é
difícil compreender o trocar da cidade pela aldeia. Mas o beber água do
fontenário do Agrelo ou a relação do amor muitas das vezes a isso obriga. Foi o
que aconteceu com Fernando Santos.
Depois D. Luísa chamou ao palco a Presidente da Junta de Freguesia,
Armanda Fernandez, que fez uma pequena alocução das virtudes de Fernando Santos
por Freamunde e a sua cultura. Também fez uma pequena resenha da vida de
Fernando, Chico Graça, em representação do Grupo Teatral Freamundense que
também se associou a esta efeméride. Entrou comovido. E, só por isso se
desculpa a não saudação aos presentes. Foi a vez Humberto Brito, Presidente da
Câmara Municipal de Paços de Ferreira, que a eventos destes nunca falha, mais a
mais que ontem jogava-se em Paços de Ferreira o playof entre o F. C. Paços de
Ferreira e Desportivo das Aves. Fez o elogio a Fernando Santos onde foi muito
aplaudido. Aliás os antecessores também o foram.
Até que se entrou na Noite de Poesia. Tudo temas de Fernando Santos.
Foi um prazer ouvir e as declamações foram primorosas. Notou-se que houve
trabalho anterior. Falou-se de “Freamunde é Coisa Boa” levado à cena há uns
bons pares de anos. Para abrilhantar Nani Santos, filho do homenageado,
interpretou o “Azul da Camisola”, sem antes fazer um pequeno intróito como
muitos se referem ao Auditório Fernando Santos. A maioria das vezes é denominada
como Casa da Cultura em vez de se dizer que certo evento teve ou vai ter lugar
no Auditório Fernando Santos. Quanto a mim intróito assertivo. As “coisas”
devem ser tratadas pelo próprio nome para não usar uma metáfora mais imprópria.
O “Azul da Camisola” foi trauteado por quase toda assistência. Mais coisas
se seguiram e como não podia deixar de ser também vieram alguns trechos da
Opereta Gandarela.
Enquanto isto vinha à minha memória recordações infantis. As
brincadeiras de criança tais como o jogar ao esconde, esconde, aos cowboys, ao
salta pocinha, brincadeiras essas que eram frequentemente passadas no lugar do
Calvário próximo da casa do senhor Santos como a apelidávamos. O recordar o dia
em que o Nani nos disse que o pai tinha comprado um rádio onde se via as
pessoas. Todos ficamos boquiabertos. Podia lá ser! Mas era verdade e o Nani não
era nenhum Passos Coelho (aldrabão). A partir daí éramos assistentes assíduos
aos programas infantis da época. Estou a referir isto porque sempre que para
ali íamos na hora do lanche a D. Brazinda nos chamava também para petiscar algo.
E sabia bem um pão de trigo e manteiga. Era de comer e chorar por mais. A
família Santos para mim foi das famílias mais bondosas de Freamunde. E… ousa-se
dizer que por trás de um grande homem está sempre uma grande mulher. Era o que
acontecia com a D. Brazinda.
Por isso a minha admiração da falta de muita gente que devia de ali
estar ontem. Fernando Santos foi um dos pais da cultura Freamundense se não o
pai. Assim aproveito este modesto texto para lhe ficar obrigado. Homens destes
não deviam morrer embora saiba que enquanto houver em Freamunde D. Luísa Tojal
as pessoas só morrem fisicamente.
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