A coligação PSD/CDS convidou o candidato do Partido Popular Europeu à
Comissão Europeia a visitar Portugal. Nessa curta viagem, Jean-Claude Juncker
pretendia ajudar à difícil tarefa de convencer o eleitorado das vantagens do
voto nos dois partidos que nos trouxeram até à saída limpa que reconheceremos
(ou talvez não) nas urnas daqui a uma semana. As mensagens de Juncker foram
várias, mas a proferida na Trofa arrisca-se a deixar marcas (quiçá) históricas:
"Não acreditem nos socialistas" porque, referiu o homem que quer
liderar a Europa, "eles lembram-me um dos vossos compatriotas mais
prestigiados: Cristóvão Colombo". Sim, leu bem: Cristóvão Colombo, o
genovês que descobriu a América do Norte ao serviço da coroa espanhola. O
candidato do PPE continua: "Quando [o "português" Colombo]
partia nunca sabia para onde ia, quando chegava nunca sabia onde estava".
A analogia do homem - que os menos esclarecidos poderão confundir com o famoso
industrial de esquentadores - não termina aqui: "Era o contribuinte que
pagava a viagem. É desta forma que procedem os socialistas dos nossos
dias", rematou o ex-presidente do Eurogrupo.
A metáfora não viajou apenas por mares historicamente pouco navegados.
Os últimos anos de navegação dos portugueses, todos sabemos, foram vividos em
águas agitadas. E o capitão deste barco, ainda um pouco à deriva, tem um nome:
Pedro Passos Coelho. Um navegador que, tal como o Colombo de Juncker, talvez
não saiba exatamente onde está nem quando chega ao fim de uma viagem, colocando
igualmente nas costas - e contas - dos contribuintes as despesas de tão
avultada odisseia.
A tirada de Jucker arrisca-se, todavia, a passar despercebida no meio
do disparate generalizado em que se transformou a campanha eleitoral para as
europeias. Uma campanha onde se discute tudo menos a Europa em crise profunda e
em que os cidadãos quase não dão pela passagem das caravanas partidárias. A
mobilização, por sua vez, reduziu-se ao mínimo denominador, transferindo-se
para redes sociais e outros sinais exteriores de pretensa modernidade.
Ignorados pelo "país" de Colombo, Rangel, Assis e companhia apelam ao
voto.
Face a tal indiferença e vazio discursivo sobre a Europa, vinga o disparate e o "fait divers". Ora de Nuno "trauliteiro" Melo, ora de Paulo Rangel. Os candidatos, que sobre a Europa nada disseram, mas que sobre Sócrates e as "selfies" dos cartazes socialistas têm tanto para dizer, bem poderiam ter evitado a triste figura de, em Aveiro, ter montado uma bicicleta. É que nas bicicletas, tal como na política, todos sabemos que só se anda bem quando se olha em frente, para o horizonte, e não para a roda, como fez Rangel à frente das câmaras de televisão. Percebe-se este desequilíbrio. O PSD anda nervoso com o desfecho do resultado eleitoral, do impacto que ele pode ter na coligação governamental e, consequentemente, na convocação antecipada de legislativas. E a coisa só vai agravar com um "ovo de Colombo" como o de Juncker. Os socialistas, de ideias igualmente ocas, agradecem.
Face a tal indiferença e vazio discursivo sobre a Europa, vinga o disparate e o "fait divers". Ora de Nuno "trauliteiro" Melo, ora de Paulo Rangel. Os candidatos, que sobre a Europa nada disseram, mas que sobre Sócrates e as "selfies" dos cartazes socialistas têm tanto para dizer, bem poderiam ter evitado a triste figura de, em Aveiro, ter montado uma bicicleta. É que nas bicicletas, tal como na política, todos sabemos que só se anda bem quando se olha em frente, para o horizonte, e não para a roda, como fez Rangel à frente das câmaras de televisão. Percebe-se este desequilíbrio. O PSD anda nervoso com o desfecho do resultado eleitoral, do impacto que ele pode ter na coligação governamental e, consequentemente, na convocação antecipada de legislativas. E a coisa só vai agravar com um "ovo de Colombo" como o de Juncker. Os socialistas, de ideias igualmente ocas, agradecem.
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