Li a entrevista que o pai de Pedro Passos Coelho deu ao DN Política. Diz
que quando cá chegou, onze de Novembro de mil novecentos e setenta e cinco,
ficou chocado com o que viu de Portugal: todo sujo e a maioria das pessoas mal
vestida e de cabelo comprido. Pudera. Não sabia e não se inteirou que era a
moda da época: cabelo grande e calças à boca-de-sino. Quanto à maioria andar
mal trajada era fruto de que os governos compostos por Salazar e Marcelo
Caetano só pensarem em ter o cofre de Estado a abarrotar de lingotes de oiro e
não pensarem no desenvolvimento do País e seu Povo.
Assim se António Passos Coelho fosse mais viajado e não se remetesse só
a Vila Rela e Caramulo tinha uma noção exacta de como era o Portugal profundo.
Mesmo assim Vale de Nogueiras, Vila Real e Caramulo deviam ser o ex-libris na
sua mente. Sabe-se e em mil novecentos e setenta Portugal tinha à entrada das
grandes cidades carradas e carradas de barracas que hoje o gado bovino e
caprino se dá ao luxo de ter melhores condições. Mesmo no coração das cidades
viam-se as ilhas, conjunto de casas servidas só por uma entrada, com “casas de
banho” ou seja fossas mouras uma para cada duas famílias e sem chuveiros.
Era este Portugal que Salazar, Marcelo e já agora António Passos Coelho
queriam. Não sei qual o motivo que aceitou ir para Angola. Mas de certeza foi
para beneficiar da sua situação económica. Depois está uns anos e fala como de
um natural se tratasse. Não se lembrou de referir o que muitos brancos faziam
aos negros. E não fala do racismo ali existente.
Prova disso é quando refere que foi aconselhado a recrutar também Angolanos.
Quando se fala em Angolanos quer dizer gente negra. Por isso nem todos tinham
as mesmas oportunidades. Se fosse branco safava-se. Se o não fosse estavas
feito ao bife.
É assim que este senhor quer dar lições de democrata. Um homem que não conseguiu fazer o filho trabalhar antes dos quarenta anos como pode ser um bom gestor! De lições destas está Portugal cheio.
É assim que este senhor quer dar lições de democrata. Um homem que não conseguiu fazer o filho trabalhar antes dos quarenta anos como pode ser um bom gestor! De lições destas está Portugal cheio.
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