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sexta-feira, 4 de abril de 2014

Nacos de vida. Poesia de Rodela:

Nas margens deste cantar

Eu vivo nas margens deste cantar
pois tenho que viver em qualquer lado,
mas juro que ando aqui contrariado
não pedi a ninguém p´rá aqui andar…

Desfruto da riqueza deste todo,
tenho direito a tudo que ele tenha,
quem me quis pôr aqui, que me mantenha
ou parto como vim do mesmo modo…

Baptizaram-me sem me dizer nada
e eu que quero ser nada, na manada,
sou tudo, sem por nada me importar.

E hei-de morrer assim, tal como eu quero
porque não vou passar, nunca, dum zero
falido, nas margens deste cantar. 

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