domingo, 30 de junho de 2013

Praça 19 de Abril. A galinheira e o seu abandono:

Há dias escrevi um texto sobre o saudoso Lago e Fonte Luminosa que existia na antiga Praça do Mercado, no antigo lugar da Feira, em Freamunde. Estou a usar o antigo como forma de fazer ver que o que é antigo está constantemente a ser desvalorizado. Parece que querem bani-lo do dicionário português o que não admira uma vez que o Acordo Ortográfico está a eliminar outras formas de escrever e pronúncia.
Assim é fácil acabar o que para muitos tinha um valor de afecto, carinho, amor e vaidade, passe a ser desprezado, porque está na moda a demolição, para elaborar outras obras, sem que se dê conhecimento à sua urbe. 

Faz-me lembrar o filho de um construtor civil, responsável por uma obra, quando o pai foi fazer uma inspecção e viu que uma das janelas não estava em sintonia com as outras. Chamado à atenção, depois de um raspanete, argumentou como única solução, a demolição da casa. O que não evitou de mais impropérios, o que a minha boa educação, os evita de descrever.
Assim é. Tudo tem solução enquanto é tempo. O que é preciso é andar em cima dos acontecimentos. Houve tempos em que se demolia tudo para se deixar obra e nome numa placa de inauguração. Da maneira que a economia vai, todos os eventos concretizados, merecem mais atenção para que não entrem em colapso como aconteceu com o Lago e Fonte Luminosa. A não ser..., servir de pretexto para depois se demolir.

Freamunde ganhou o estatuto de cidade em Abril de dois mil e um. Este estatuto trouxe mais responsabilidades aos edis responsáveis por estes pelouros. Assim, Freamunde, a partir dessa atribuição merecia ser melhor olhado pelos vários serviços da Câmara Municipal. Se houve interesse na passagem a cidade, também, devia haver interesse na melhoria e arranjo de pelo menos do seu centro.
Acontece que foi a partir dessa data que Freamunde ficou mais abandonado. Até o seu centro que até aí era um regalo ver, sempre limpo, os seus jardins bem arranjados, as ervas nas valetas e entre os paralelos sempre cortadas, a bica de água junto à Palmeira, sempre que se desejasse brotava água, a folha das árvores sempre apanhadas. O seu Lago e Fonte Luminosa a dar-nos uma coreografia, de várias formas, que constantemente eram modificadas pelos seus chafarizes e cor projectada pelos seus holofotes, assim como a aragem que vinha da água através da sua evaporação. Era como digo: um regalo.
Até confesso um elogio de um casal madeirense em visita a Freamunde a convite do meu irmão que se encontra na Madeira: gostou da maneira como Freamunde estava concebido, a sua arquitectura, o seu centro que denotava o antigo e a sua limpeza. Isto foi dito por um madeirense, residente no Funchal e, quem conhece o Funchal, sabe que ali a limpeza é um dever sagrado. Por isso os meus desabafos. Gosto de ver Freamunde no seu melhor. 
Como disse, desde que se tornou cidade, tem ido de mal a pior. O seu coração sangra. E, mais vai sangrar quando demolirem a queda de água na praça dezanove de Abril. 
Pelo abandono em que se encontra nada me admira que venha a ser demolida como o Lago e a Fonte Luminosa. E já vai nuns dois anos que não se vê correr pinga de água!
Admira-me a coragem da galinheira em se manter ali naquela situação. Outra qualquer já tinha dali fugido com vergonha de como está a ser tratada.   

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