Assisti ontem na íntegra à sua inquirição na Comissão de Inquérito às
Parcerias Públicas Privadas através do Canal Parlamento. Gosto de assistir para
depois tirar conclusões com o que nos comunica a nossa comunicação social quer
escrita, vista ou falada. Faço isso porque já reparei nas deturpações que
depois nos são descritas. Ao escrever este texto ainda não sei quais vão ser as
notícias. Foi mau de mais para se dizer que ali é a casa da democracia.
Paulo Campos agradeceu o convite que lhe fizeram porque só assim é que
se podia defender das falsidades que disseram sobre as suas decisões enquanto
secretário de Estado do Ministério das Obras Públicas. Argumentou os factos com
documentos tendo sido contrariado pelos deputados que compõem a maioria.
Hélder Amaral foi com argumentos que Paulo Campos contrariou e
demonstrou que Hélder Amaral estava a mentir. Perante tal, Hélder Amaral
insistiu, o que voltou a ser contrariado por Paulo Campos, agora com uma gravação
sobre o que Hélder Amaral tinha proferido, ao que este ouviu e não desmentiu, porque
eram verdadeiras, o que levou Hélder Amaral a ruborizar-se, o que deu para se notar,
mesmo descontando a sua cor.
Mais adiante entrou em cena Nuno da Encarnação e ouviu da boca de Paulo
Campos a frase que estava a fugir à realidade. Estes continuaram a sua lenga-lenga mas a serem contrariados por um Paulo Campos sempre sereno.
Os deputados Rui Paulo Figueiredo e Manuel Seabra contrariavam a forma
como os deputados da maioria se comportavam com Paulo Campos, mas António
Filipe, presidente da comissão, pouca ordem punha no debate.
Também tenho assistido a intervenções do plenário da Assembleia da República e
já aqui manifestei o meu repúdio pela falta de respeito que ali grassa e até profetizei
que um dia algum deputado vai chegar a vias de facto. Muitas vezes me tenho
lembrado de Jaime Gama.
Mas o que se passou hoje naquela comissão foi mau de mais. Da parte da
maioria os deputados Hélder Amaral, Altino Bessa, Nuno Encarnação e Emídio Guerreiro
deram a quem os ouvia um espectáculo de má educação e arrogância sendo que
Emídio Guerreiro também faz parte da presidência da comissão e devia dar o
exemplo.
Os deputados Rui Paulo Figueiredo e Manuel Seabra tiveram conduta de
louvar porque se assim não fosse não resistiam a tal vexame. Sempre que Rui
Paulo Figueiredo fazia interpelação à mesa era sempre contrariado
por António Filipe. As interpelações por parte da maioria António Filipe admitia. Espero que veja a gravação e reflicta para não voltar a acontecer o
mesmo.
Felicito Karina Oliveira e Bruno Dias pelo exemplo que deram como se
deve comportar os deputados. A, Emílio Guerreiro, vi há dias um comentário num jornal
diário a chamar-lhe trauliteiro e garoto. Na altura achei o comentário severo
de mais, hoje pela forma como se comportou acho de menos.
Esta sexta-feira nem era treze. Há pouco tempo o Canal Parlamento
começou a ser transmitido em sinal aberto mas a decorrer assim prevejo que são
os telespectadores que lhe vão dar o sinal fechado.

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