Contam os nossos avós que um certo agricultor, passando a fronteira de
Espanha, se terá queixado ao seu amigo espanhol de que as colheitas iam de mal
a pior e que já nem davam para alimentar os animais de carga.
Este de imediato lhe propôs um negócio: vender-lhe uma raça de burro
que, com o tempo, habituar-se-ia a não comer, contribuindo para a diminuição
das despesas. Regressado a Portugal, depressa começou com o plano de
emagrecimento, que começava por alimentar o animal, dia sim, dia não, até que
chegasse ao ponto de o animal não comer.
Algumas semanas depois, mostrava todo orgulhoso o burro aos seus
vizinhos dizendo: - Vejam só, a última vez que comeu foi há quatro dias. Mais
umas semanas e posso garantir-vos que se habitua e deixa de precisar de comer. Os
dias passaram e a dieta intensificava-se e o agricultor passeava. De repente, a
aldeia deixou de ver o agricultor e o burro.
Estranhando a ausência
prolongada, um vizinho bateu à porta do agricultor e perguntou. - Está tudo bem
consigo, vizinho? E o burro está tudo bem com ele? O agricultor, em lágrimas, responde-lhe.
- Ai vizinho, que desgraça, não quer você acreditar que o raio do burro morreu?
Logo agora que já se tinha habituado a não comer".
Esta história, passada de geração em geração continua, actual. Portugal
é o burro. Passos Coelho o dono. Quando Passos Coelho verificar que o burro
morreu pela fome a que foi sujeito, compreende, que a sua situação é igual à do
lavrador. Vai verter lágrimas. Só que estas podem ser compensadas com a saída
pela janela que é o que os portugueses fazem aos traidores. E Passos Coelho é o
Miguel de Vasconcelos do século vinte e um.


Sem comentários:
Enviar um comentário