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sábado, 17 de novembro de 2012

A diferença é os óculos...


Contam os nossos avós que um certo agricultor, passando a fronteira de Espanha, se terá queixado ao seu amigo espanhol de que as colheitas iam de mal a pior e que já nem davam para alimentar os animais de carga.
Este de imediato lhe propôs um negócio: vender-lhe uma raça de burro que, com o tempo, habituar-se-ia a não comer, contribuindo para a diminuição das despesas. Regressado a Portugal, depressa começou com o plano de emagrecimento, que começava por alimentar o animal, dia sim, dia não, até que chegasse ao ponto de o animal não comer.
Algumas semanas depois, mostrava todo orgulhoso o burro aos seus vizinhos dizendo: - Vejam só, a última vez que comeu foi há quatro dias. Mais umas semanas e posso garantir-vos que se habitua e deixa de precisar de comer. Os dias passaram e a dieta intensificava-se e o agricultor passeava. De repente, a aldeia deixou de ver o agricultor e o burro.
Estranhando a ausência prolongada, um vizinho bateu à porta do agricultor e perguntou. - Está tudo bem consigo, vizinho? E o burro está tudo bem com ele? O agricultor, em lágrimas, responde-lhe. - Ai vizinho, que desgraça, não quer você acreditar que o raio do burro morreu? Logo agora que já se tinha habituado a não comer".
Esta história, passada de geração em geração continua, actual. Portugal é o burro. Passos Coelho o dono. Quando Passos Coelho verificar que o burro morreu pela fome a que foi sujeito, compreende, que a sua situação é igual à do lavrador. Vai verter lágrimas. Só que estas podem ser compensadas com a saída pela janela que é o que os portugueses fazem aos traidores. E Passos Coelho é o Miguel de Vasconcelos do século vinte e um.

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