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terça-feira, 2 de outubro de 2012

São uns ignorantes:

Esta frase assim dita pode estar bem aplicada porque não se refere a ninguém em particular. Agora assim: “os empresários portugueses que rejeitaram a TSU são uns ignorantes e não passavam do primeiro ano do curso que lecciono na faculdade”. Assim, quer na forma quer no conteúdo, é grave e ofende a dignidade dos empresários portugueses.
De economia pouco percebo. Mas, percebo português e, entendo que não é assim que se comunica num fórum. Aliás, admirei-me com a pachorra que a maioria dos empresários tiveram para continuar a ouvir as bacoradas de António Borges. E, ao contrário dos provérbios portugueses os empresários não se sentiram filhos de boa gente porque senão tinham abandonado a sala e deixavam António Borges a falar para as paredes.
Não faltaram críticas e declarações mas houve quem viesse em seu socorro. Todos os empresários se deviam sentir ofendidos mas, Alexandre Soares dos Santos, foi o maior visado e devia sentir-se o mais ofendido porque lhe deu guarida nas suas empresas.
Como referi antes, de economia pouco percebo mas, como me julgo um pouco informado porque gosto de acompanhar o que diz a comunicação social, redes sociais, Internet e YouTube, apresento um vídeo e um texto de ilustres comentadores, sendo uma economista brasileira, Maria da Conceição Tavares e Viriato Soromenho-Marques, professor catedrático na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, regendo as cadeiras de Filosofia Social e Política e de História das Ideias na Europa Contemporânea.
 


Economia sem coração
«Há pessoas assim. O mundo pode perecer, desde que o seu ego gigantesco não sofra qualquer dano. Fortunato Frederico, um dos mais notáveis empresários apoucados por António Borges (AB), guru económico do primeiro-ministro (PM), comentou que a baixa da TSU "era uma medida sem pés nem cabeça, sem coração". Para AB, isso não passa de "ignorância", merecendo reprovação no exame da cadeira que ensina numa universidade. AB ficou com uma ferida narcísica, pois foi ele quem ditou ao PM o repulsivo discurso de 7 de setembro. Mas o mais importante é perceber que economia ensina AB nas suas aulas. Recentemente, Luigi Zingales, professor na Universidade de Chicago, onde se celebrizou um dos profetas do ultraliberalismo económico, Milton Friedman, assinalava a miséria ética de grande parte dos cursos de Economia e Gestão. O título do seu artigo fala por si: "Será que as Escolas de Negócios são incubadoras de Criminosos?" Na verdade, nos últimos 30 anos, muitos círculos académicos têm-se concentrado na primeira parte do lema de Friedman - "a primeira e única responsabilidade da empresa é aumentar os seus lucros" -, esquecendo-se do resto da frase - "na medida em que se respeitem as regras do jogo, de uma competição aberta, livre, sem engano nem fraude". A economia foi fundada em 1776 por Adam Smith, um dos mais importantes escritores morais de sempre. Nessa altura, chamava-se "política". A economia não fazia abstração das pessoas, nem das suas relações e valores. Hoje, o que falta em pensamento amplo sobra no malabarismo dos modelos, manejados por aprendizes de feiticeiro. Analfabetos éticos que têm semeado, com impunidade, a ruína pelo mundo. Do subprime ao escândalo da Libor. Ensinando uma opinião arrogante, disfarçada de ciência. Uma economia sem "coração", nem economia chega a ser. Já "chumbou" no exame da Vida.» [DN]

Autor:
Viriato Soromenho-Marques   

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