Quando era criança, já lá vão mais de cinquenta e tal anos, não
estávamos tão avançados no que toca a medicamentos e ir a uma farmácia para
comprar algum para combater essa dor era impensável. As mães, como a minha,
coitadas, tudo faziam para atenuar essas dores aos seus filhos e quando eram de
tenra idade, ainda pior, pois não falavam e assim não podiam dizer onde eram as
dores.
Faziam os chamados remédios caseiros, alguns consistiam em ferver uns
alhos em azeite e depois esfregar pela barriga ou pôr um pano quente em cima da mesma. Se mesmo assim não passasse
usava-se o esfregar a barriga com a palma da mão. De tanto friccionar, com o
aquecimento da pele da barriga, tempo despendido, as dores atenuavam e assim
quem as sentia deixava de choramingar.
A minha mãe perdia esse tempo porque não gostava de ver um seu filho a
chorar com dores e não mover algo para as combater. De certeza que se fosse
noutra criança também a acudia mas não era com o desvelo que usava para comigo.
Este intróito serve para demonstrar as dores de barriga que certos
cronistas usam para esfregar a barriga dos seus “filhos”. Ao contrário, da
minha mãe, só esfregam a barriga dos seus. Quando acontece com os filhos das outras
mães as dores de barriga não são importantes.

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