Assisti ao programa porque gostei do tema e sou um fervoroso adepto do
escritor Camilo Castelo Branco e grosso modo do programa Prós e Contras. Não
pela apresentadora que de há uns tempos a esta parte tem sentido dores de
barriga por alguma crítica ao programa ou a algum convidado. A missão do
moderador/a é deixar a conversa fluir e não estar sempre a interromper ou
intervir com isso denotando a tal dor de barriga.
Foi enaltecido o papel de Camilo Castelo Branco na literatura
portuguesa e os vários livros por ele escrito sendo que Amor de Perdição foi o
mais conhecido e tornou-se numa peça de teatro que várias companhias de teatro
profissional ou amador levaram à cena. Falo dele com conhecimento de causa
porque fui várias vezes assistir à sua exibição na Associação de Socorros
Mútuos Freamundense, local exíguo, mas onde são exibidas belas peças de teatro
quer pelo Grupo de Teatro da Associação Cultural Recreativa Pedaços de Nós, que
pôs em cena durante vários fins-de-semana do ano passado, Amor de Perdição, e o Grupo Teatral
Freamundense com outras peças.
Amor de Perdição traz-nos os amores e desamores de Simão Botelho com Teresa e Mariana. Onde levou à sua própria condenação, com o degredo, por ter
matado o seu rival Baltasar Coutinho e ter causado a morte do seu amigo João da
Cruz, pai de Mariana, sua estimável companheira das horas de infortúnio.
Nesse tempo o amor era vivido mais intensamente e para ter a permissão
dos seus progenitores era preciso cair-se em graça. Quando era o contrário e a
filha teimava em levar a sua avante, dava regra geral em tragédia, basta lembrar
Amor de Perdição e Romeu e Julieta que puseram em desavença suas famílias.
Hoje as coisas são mais simples. Namoram e no primeiro encontro já
trocam várias carícias, coisa que há uns anos era impensável: um aperto de mão nos
primeiros encontros, uma primeira saída num dia de festa mas na companhia de
uma pessoa de família e não passava disso. Nos tempos que correm casam-se sem se conhecerem bem. Não
há tragédias que levam à morte mas levam à tragédia que é o divórcio em que são os filhos quando os há a padecerem.

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