Temos por hábito tratarmos pessoas idosas por velhas. Um dia quando
alcançarmos essa idade e se nos tratarem do mesmo modo de certeza que não vamos
gostar. Há muitos jovens que quando se referem aos seus progenitores dizem: os
meus velhos. Este tratamento não é dirigido pelo carinho que se têm por que se
assim fosse diziam: os meus velhinhos. Há nonagenários, ou que andam perto
disso, com uma sabedoria, experiência de vida e frescura cerebral que dá inveja
a qualquer jovem. Dá gosto, ouvi-los, quando tratam de problemas da vida, do
país e da política.
Agostinho da Silva, Mário Soares e Adriano Moreira são para mim os
maiores portugueses do século XX e XXI. Não perdia um programa “Conversas Vadias”
em que o entrevistado era Agostinho da Silva. Dava prazer ouvi-lo.
Mário Soares deu um contributo à democracia portuguesa. Faço uma declaração
de interesses: nunca votei no PS liderado por Mário Soares. Para Presidente da
República votei nas duas vezes que se candidatou mas… tive de tapar os olhos e
engolir um sapo.
Adriano Moreira foi dos políticos da era do Estado Novo que mais me surpreendeu.
Foi presidente do CDS e nos dois anos à frente dele teve sempre uma conduta
democrática. Ontem assisti à entrevista que deu a Fátima Campos Ferreira na
celebração do seu nonagésimo aniversário e a lucidez com que abordou todos os
temas faz ver à maioria dos nossos “jovens” políticos o quanto estão a anos-luz
dele.
A inteligência e sensatez não se ganham só nos bancos das escolas. Tem
de haver vivência com a realidade. Nascer do nada para saber dar valor. Subir
as encostas mais ingrimes para quando se encontrar no cimo dar valor a quem se
encontra em baixo.
Saber valorizar estes três ícones e lembrar à juventude que velhos são
os trapos é a obrigação de qualquer português.



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