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terça-feira, 11 de setembro de 2012

Os tempos mudaram:


E de que maneira! Ainda recordo e, para matar saudades vou de vez em quando ao baú das minhas recordações, reler cartas, aerogramas, um ou outro jornal antigo, ver os álbuns de fotografias que ali guardo, com várias, a perder o preto e branco - coloridas eram caras - dando um aspecto de arruçadas. Que prazer! Ali está parte da minha vida.
Para se escrever uma carta ou aerograma os rascunhos que se deitavam fora porque não estavam como pretendíamos. Geralmente eram enviadas para pessoas que estimávamos muito: pais, esposa, namorada, amigos, ou uma madrinha de guerra, que nos ajudavam a passar o tempo, nesse tempo, difícil e longínquo que eram as ex-províncias ultramarinas.
O quanto nos aprimorávamos para ir tirar um “retrato”. Vestíamos a melhor indumentária e não podia faltar a gravata porque fotografia sem gravata não era fotografia. Havia fotógrafos que tinham uma de reserva para os incautos. Passado dias íamos levantá-las e, com carinho, com os dedos da mão bem limpos, lá a tirávamos da carteirinha. Parecíamos que estávamos a lidar com bebés tal o cuidado que usávamos.
Hoje tudo é fácil. Não faltam máquinas fotográficas com cartão ou disco que elabora toda a fotografia. Até os telemóveis estão preparados para essa finalidade. Depois é só enviá-la para o computador e, com papel próprio trata-se logo dela. Não são precisos químicos e estúdio escuro para a revelar.
As cartas e selos estão em decadência. Só se enviam as comerciais. As mensagens e emails ocupam esse lugar. Até nos carteiros se perdeu a amabilidade de como se anunciava e entregavam as cartas.
Ainda recordo os carteiros de Freamunde - Maximino “Cebola” e Gomes “de Carvalhosa” - em cima das suas bicicletas a pedal e com a buzina a anunciar a sua chegada. As raparigas vinham a toda a pressa perguntar se havia carta para ela. Esta pressa devia-se à ansiedade de carta do namorado. Se sim, ficavam radiantes mesmo antes de saber qual o conteúdo da escrita. Se não, era tal a frustração que o dia ficava logo ali estragado. Eram os ciúmes a funcionar.
Na era da tecnologia está-se a um toque de telemóvel ou de uma pesquisa no facebook. Tudo é fácil! Não se dá o devido valor que se dava a uma carta ou aerograma. O valor da caligrafia e como era desenhada! O cheiro a papel e o perfume que alguma namorada lhe acrescentava para cair na admiração do seu príncipe encantado! O carinho com que se guardavam no porta jóias ou a avidez com que se rasgavam em caso de zanga!
Sabe bem recordar as cartas, os aerogramas e os carteiros com as suas bicicletas a pedal tocando na sua buzina. Tudo isto está tão distante.

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