Rádio Freamunde

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domingo, 23 de setembro de 2012

A RTP não é apenas uma empresa:


Faz parte de Portugal. É património e uma parte da vida de muitas gerações.
(João Adelino Faria - Pivô e jornalista da RTP.)
"Em criança, foi através dela que descobri que havia um mundo imenso para lá da vila onde nasci. Quando chegou a cor, era adolescente e foi através dela que aprendi as primeiras lições de vida. Como jovem, foi com ela que viajei e sonhei. Como universitário, foi com ela que tive a certeza de que queria ser jornalista. Quando entrei para a SIC, foi nela que procurei inspiração. Hoje, é nela que trabalho e com orgulho apresento o Telejornal.
A RTP não é apenas uma empresa! É uma casa que faz parte de Portugal enquanto Nação, Pátria, País, Cultura e História. É um património e uma parte da vida de muitas gerações. Foi instrumento da ditadura e da democracia. Foi escola para milhares de profissionais e universidade para muitos que hoje trabalham, do jornalismo à política. Foi o último reduto para combater injustiças, ajudar os que não tinham outro meio para contar as suas histórias e companhia para quem não tinha mais ninguém. Foi com ela que rimos e chorámos todos, muito, ao longo das nossas vidas. Não há português que não tenha a sua história com a RTP. Foi durante muito tempo o orgulho de todos nós e não apenas dos que nela trabalham.
Por tudo isto, é com grande tristeza que vejo por estes dias esta casa ser atacada na rua e nos jornais sem piedade e sem razão. Um ataque generalizado e fácil, por vezes movido por interesses egoístas, implacáveis, ou simplesmente por objetivos incendiários de quem gostaria de a ver desaparecer. Indigna-me sobretudo ver como alguns jornalistas que aqui trabalharam atacam com ódio a casa onde, ironicamente, aprenderam quase tudo e graças à qual são alguém na vida!
Na RTP cometemos erros? Sim. Há muita coisa a mudar? Sem dúvida. Mas ignorar a história, o trabalho e o esforço que diariamente são aqui feitos por milhares de profissionais não é cegueira, é pura maldade!
Sei que o mundo mudou muito e concordo que a RTP tem, urgentemente, de se adaptar aos tempos difíceis que vivemos. Também aqui, e por maioria de razão, há muitos sacrifícios a fazer! Não conheço ainda, sinceramente, qual o melhor modelo para a transformar. Mas, seja qual for a solução encontrada, espero que tenha sempre em conta que a RTP existia muito antes de nós e que deve continuar a existir muito para além das nossas vidas. Mais do que me preocupar com quem e como vai ser gerida no futuro esta casa desejo que a sua essência, a sua matriz, o seu espírito e a sua alma nunca desapareçam. Só quem aqui trabalha e contacta com quem nos vê, em Portugal e no mundo, percebe como isto é importante e especial.
Esta é uma crónica daquilo que sinto, mas creio ser também o sentimento de muitos dos milhares de trabalhadores desta casa. Em especial dos mais velhos que por vezes encontro na cantina da RTP. É enternecedor ver que, mesmo depois de reformados, muitos aqui regressam. Não conseguem cortar o cordão! Estão preocupados com o futuro da sua televisão como se de um neto se tratasse. Fazem-me perguntas para as quais não tenho resposta. Pedem-me ajuda para salvar o que foi construído por milhares de pessoas. Não tenho esse poder. Mas é por eles e para eles que escrevo esta crónica."
Também ainda recordo esse momento! A partir daí era esperar pelo fim da tarde e cair na simpatia da D. Brazinda, esposa de Fernando Santos, ambos falecidos, mãe do Eduardo e "Nani" Santos. Não abundavam os aparelhos de televisão. Em Freamunde eram os Cafés e, esses, nesse tempo não eram muitos, uma ou outra casa de gente abastada. Nós miúdos devorávamos os programas como: Bonanza, Lassie, Rin Tin Tin, o cão soldado, e outros programas para a minha idade. 
Hoje, sexagenário, vejo com tristeza o que este governo de incompetentes querem fazer com a RTP. Sabe-se que o que for idoso é um incómodo para esta seita do governo que são uns imberbes. O desprezo pelos reformados que deram parte do seu ser para que eventos como a RTP e RDP sejam uma realidade. 
Passos Coelho e o seu governo faz-me lembrar aqueles filhos que pegavam nos pais quando velhos e os levavam ao cimo do monte e os abandonavam com uma manta e uma broa de pão. Mas, para estes iluminados, recordo-lhes que a maior invenção no Mundo foi a roda.

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