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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Angola:


Amanhã vão decorrer as eleições gerais. Espero que decorram dentro da normalidade e com espírito democrático. Sabe-se – a imprensa escrita e falada tem-no denunciado – que há um clima de insegurança relatado pela Unita. 
Algumas vezes berramos que aí vem lobo mas o lobo é de nossa pertença. Como disse, espero que decorra com a segurança possível para que os angolanos almejam o que durante anos lhes faltou: paz.
Este meu desejo deve-se ao facto de ali ter cumprido o serviço militar obrigatório e ter ganho amor e carinho àquela terra vermelha e sua gente, de conviver com muitos angolanos no seio da minha companhia. 
De um ou outro lembro o nome: o soldado Santos jogava no Ara da Gabela e fazia parte da equipa de futebol da minha companhia, 3341 e da Selecção do Batalhão 3838. 
Dos restantes, eram muitos, não me lembra o nome. Eram nomes africanos, difíceis de decorar, e são muitos anos a mediar – 1971 a 2012 - esta passagem, por isso o esquecimento.
Merecem essa paz porque para guerra bastou a de entre mil novecentos e sessenta e um a mil novecentos e setenta e cinco contra o Exército Português e até dois mil e dois com a Unita. É uma grande nação – pena Portugal não possuir as suas valências – por isso se se compreenderem, todos ganham com isso e o seu futuro torna-se próspero.
Como referi ali vivi forçadamente quase dois anos e fiquei com algum conhecimento dos seus usos e costumes. De Luanda a Balacende esse itinerário para mim era familiar. 
Balacende por força das circunstâncias passou a ser a minha segunda terra (Freamunde). Só existia o quartel mas para nós era a terra mais bonita. Ai de quem dissesse mal. Vou acompanhando a imprensa escrita e a T.P.A. para ver se há notícias sobre Balacende mas não encontro nada.
De Luanda passando por Belas, Barra do Dande, Cacuaco e Tentativa chegava-se à Vila do Caxito. No sentido inverso: Balacende, Quicabo, Mabubas, Sassa e Caxito. À nossa chegava apareciam logo os putos que nos rodeavam à espera de alguma dádiva.
Estacionávamos por ali durante umas horas a beber umas Nocais ou Cucas e comer umas moelas ou churrasco de frango. Até que neste vai e vem chegou o dia mais ansiado por nós: o regresso ao Puto. 
Desde essa altura separam-se quarenta anos no tempo. No pensamento, esse não sofreu alteração. Sempre senti carinho e respeito principalmente por Balacende e Caxito. 
Balacende se tivesse vida apercebia-se do quanto gostávamos dela. Na alegria e na tristeza. Por isso julgo ter direito a um quinhão: que é a saudade. Assim como Balacende tem parte da minha vida: quase dois anos dos melhores anos da vida de um jovem. 
Oxalá que as eleições de amanhã continuem a garantir a paz entre todos: de Cabinda ao Cunene.  

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