Estava sentada no quintal a fazer um buraco. Não era para servir de
brincadeira. Quantos de nós em pequenos fazíamo-los para gozo dessas
brincadeiras. Eram tempos em que não havia brinquedos à mão de semear a não ser:
uma roda, um pião todo esburacado pelas “nicas” que levava, uma boneca e bola
de trapos. Eram esses os brinquedos de ocasião.
Por isso quando vi a Anita a fazer aquele buraco compreendi que não era
para gozo do seu tempo de ócio. Sim, quando se constrói algo para nossa diversão
fazemo-lo com o entusiasmo próprio da idade. O seu semblante estava triste e
frio. Algo tinha acontecido. Aproximei-me dela e perguntei qual o motivo.
Disse-me: - Há pouco tempo tinha falecido o seu avô e numa fugida ao
cemitério da aldeia viu um homem a cavar um buraco. Logo pensou que era para ali
que ia o seu avô. Mais tarde no acompanhamento do funeral viu que não estava
enganada quanto ao destino do buraco.
Agora tinha morrido o seu Bobi. Sabia porque a mãe lhe tinha dito que
não o podia sepultar no cemitério onde estava sepultado o seu avô. Ali só quem tem
alma. Mas o que é isso da alma!
O seu Bobi demostrava ter mais alma que alguns que eram sepultados nesses cemitérios. Sempre fiel aos seus donos e a ela venerava com um amor digno de registo. Sim os caninos quando bem tratados são o melhor amigo do ser humano. Tudo isto me foi relatado pela Anita. Deixei-a em paz com a sua dor.
O seu Bobi demostrava ter mais alma que alguns que eram sepultados nesses cemitérios. Sempre fiel aos seus donos e a ela venerava com um amor digno de registo. Sim os caninos quando bem tratados são o melhor amigo do ser humano. Tudo isto me foi relatado pela Anita. Deixei-a em paz com a sua dor.
Passados uns dias passei pelo local que a Anita tinha destinado para
cemitério do Bobi. Vi que o buraco se parecia com uma campa, com dois paus em
forma de cruz, umas pétalas de rosas espalhadas, um papel de mata-borrão
pregado na cruz que dizia o seguinte: “ Aqui jaz o Bobi, dei-lhe conforto, ele
não me mordeu, ao contrário de outros”.

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