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sexta-feira, 27 de abril de 2012

Mais vale tarde que nunca:


Vem este aforismo a propósito do discurso de Cavaco Silva, não saliento a sua função, por que nunca o considerei como tal, pelo motivo de o achar pequeno – não em estatura - e tacanho para tão nobre missão que é a de Presidente da República.
Cavaco Silva anda atrasado na leitura dos seus discursos. O de este ano devia de ter sido lido o ano passado nas comemorações do vinte e cinco de Abril. Os portugueses têm esperanças que só seja atrasado no tempo e não do foro da medicina. 
Tinha-se queixado da falta de solidariedade de José Sócrates. Vai mais um aforismo: o criminoso volta sempre ao lugar do crime. Foi o que fez Cavaco Silva. Os remorsos eram tantos que resolveu fazer as pazes com Sócrates e dedicou-lhe quase todo o discurso no dia vinte e cinco de Abril na Assembleia da República. Só faltou dizer que o vai condecorar no dia dez de Junho. 
Fica bem. As pessoas quando são menos importantes só têm um caminho: reconhecer a superioridade dos outros. Custou-lhe reconhecer. Mais vale tarde que nunca. É do tipo da fábula da raposa e das uvas, sendo ele a raposa. As uvas se pudessem falar diziam! Olha-me este badameco: põe defeitos mas até uma parra lhe serve para saciar a fome. E… a fome dele é da sapiência.
Criticar como o criticou é uma façanha de covardes. Própria dos medíocres. Aliás, só critica quem é inferior. A maior faculdade do ser superior é a humildade. Foi o que Sócrates fez: compreender a raposa e não lhe dar resposta. A raposa demorou tempo a perceber que as uvas estavam num plano superior.
Termino com o título que dediquei a este texto: Mais vale tarde que nunca.

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