Voltando às notícias da Gazeta de Paços de Ferreira, de 01-04-1962, - dia das mentiras - embora o dia nos possa levar a tal pensamento, vem o relato do jogo de futebol entre o S. C. Freamunde e o Futebol Clube de Famalicão.
Lembro-me como se fosse hoje. Este jogo era aguardado com muita expectativa derivado aos acontecimentos do jogo da primeira volta realizado em Famalicão e que resultou em várias contendas dentro e fora do rectângulo desportivo.
No aspecto desportivo fomos mal recebidos, chegando inclusive a lesionarem o nosso guarda-redes Santos. Gerou-se tal confusão que se alastrou às bancadas onde estavam vários Freamundenses, entre eles, Júlio Regadas, António e Nelo Nunes, segundo parece, um deles nessa altura Oficial do Exército. Entre dar e receber parece que ficamos a perder. Também não admira por que estavam em menor número.
No dia 25-03-1962 - presumo que fosse neste dia - a gazeta de Paços de Ferreira não era diária e o dia 01-04-1962 foi a um domingo, é que me leva a crer que o dito jogo entre Freamunde e Famalicão tenha sido na data de 25 de Março, antes oito dias, pelo facto de só nessa data a dita Gazeta fazer referência.
Freamunde preparou-se para receber o F. C. Famalicão da mesma maneira como lá fomos recebidos. Aqui em Freamunde temos como lema: à terra que fores ter faz como vês fazer. E... assim foi. Nunca até àquela data tinha visto tanta Guarda Nacional Republicana! Dizem que o F. C. Famalicão veio desde Famalicão escoltado pela G.N.R..
Do lugar da Feira, junto ao café Teles, até campo do Carvalhal, parecia uma romaria tal era o aglomerado de Freamundenses. Os jogadores do Famalicão saíram do autocarro em frente ao que é hoje a sede da A. C. R. Pedaços de Nós, sendo um dos primeiros, o seu presidente, amicíssimo de José Lopes, pai do sr. Nelson Lopes, ao qual foi ofertado um pontapé nas pernas por parte do Rafael “Pataco”, o qual recebeu no mesmo instante um tabefe de José Lopes o que originou uma grande agitação que prontamente teve o seu fim. Não era motivo para desavenças entre Freamundenses, embora o acto de José Lopes fosse condenado, mas a ira era sobre o F. C. Famalicão.
Chegados ao Carvalhal, o presidente do Famalicão foi bastante vaiado, confronto físico não houve, derivado à protecção da G.N.R., mas em contrapartida, foram arremessados ovos chocos à dita personagem. Não sei o que teria sido melhor. Umas sapatadas. Uns pontapés. Ou ovos chocos. É que estes deixavam um cheiro horrível, não fosse esse motivo de tal nome.
O campo do Carvalhal estava à pinha. Não comportava mais uma agulha. De Famalicão vieram vários assistentes, o jogo era importante para ambos os lados. Regra geral quem provoca na terra não se desloca com o seu clube para fora de portas. Estes amavam o seu clube e arriscaram na deslocação. Estavam disfarçados. Tinham receio de serem descobertos. Aqui em Freamunde temo-los às dezenas!
No final do jogo a vitória sorriu ao Freamunde por um a zero. O F. C. Famalicão tinha nas suas fileiras jogadores de gabarito tais como: Wilson, irmão de Edmur, jogador do Vitória de Guimarães, dos melhores de sempre e o guarda redes Santana, mais tarde treinador do S. C. Freamunde. Não teve muita sorte em Freamunde. Foi mandado embora. Nessa altura o S. C. Freamunde ocupava a terceira posição na classificação geral. Com a saída dele quem tomou conta da equipa foi Jorge Regadas e o Mário de “Lordelo”, ficando com a missão de treinadores e jogadores. Foi aqui a ascensão de Regadas como treinador. O Famalicão tinha uma excelente equipa. Foi a primeira de série.
No fim do jogo o pior estava para vir. Freamunde parecia sitiado. A G.N.R. em grande número, como referi em cima, a todo custo queria que os Freamundenses abandonassem o centro da sua vila, lugar onde se discutia o desenrolar dos jogos, a má-língua e a miséria da vida. Não, não podiam dar esse prazer ao desbarato. Para a G.N.R. levar a sua avante tinha de haver contraditório. E foi isso que aconteceu.
Parecia uma guerra civil. Freamundenses contra a G.N.R. O major que comandava a força de segurança levou com um paralelo na cabeça e tiraram-lhe a espada. Era garoto e assisti a isto tudo. Ainda me lembro de ver Joaquim “Morada”, Pinto “Pedreiro” e um irmão do Neca Costa, todos já falecidos, à sapatada com a G.N.R. Estas passagens tenho-as gravadas na minha memória.
Lembro-me como se fosse hoje. Este jogo era aguardado com muita expectativa derivado aos acontecimentos do jogo da primeira volta realizado em Famalicão e que resultou em várias contendas dentro e fora do rectângulo desportivo.
No aspecto desportivo fomos mal recebidos, chegando inclusive a lesionarem o nosso guarda-redes Santos. Gerou-se tal confusão que se alastrou às bancadas onde estavam vários Freamundenses, entre eles, Júlio Regadas, António e Nelo Nunes, segundo parece, um deles nessa altura Oficial do Exército. Entre dar e receber parece que ficamos a perder. Também não admira por que estavam em menor número.
No dia 25-03-1962 - presumo que fosse neste dia - a gazeta de Paços de Ferreira não era diária e o dia 01-04-1962 foi a um domingo, é que me leva a crer que o dito jogo entre Freamunde e Famalicão tenha sido na data de 25 de Março, antes oito dias, pelo facto de só nessa data a dita Gazeta fazer referência.
Freamunde preparou-se para receber o F. C. Famalicão da mesma maneira como lá fomos recebidos. Aqui em Freamunde temos como lema: à terra que fores ter faz como vês fazer. E... assim foi. Nunca até àquela data tinha visto tanta Guarda Nacional Republicana! Dizem que o F. C. Famalicão veio desde Famalicão escoltado pela G.N.R..
Do lugar da Feira, junto ao café Teles, até campo do Carvalhal, parecia uma romaria tal era o aglomerado de Freamundenses. Os jogadores do Famalicão saíram do autocarro em frente ao que é hoje a sede da A. C. R. Pedaços de Nós, sendo um dos primeiros, o seu presidente, amicíssimo de José Lopes, pai do sr. Nelson Lopes, ao qual foi ofertado um pontapé nas pernas por parte do Rafael “Pataco”, o qual recebeu no mesmo instante um tabefe de José Lopes o que originou uma grande agitação que prontamente teve o seu fim. Não era motivo para desavenças entre Freamundenses, embora o acto de José Lopes fosse condenado, mas a ira era sobre o F. C. Famalicão.
Chegados ao Carvalhal, o presidente do Famalicão foi bastante vaiado, confronto físico não houve, derivado à protecção da G.N.R., mas em contrapartida, foram arremessados ovos chocos à dita personagem. Não sei o que teria sido melhor. Umas sapatadas. Uns pontapés. Ou ovos chocos. É que estes deixavam um cheiro horrível, não fosse esse motivo de tal nome.
O campo do Carvalhal estava à pinha. Não comportava mais uma agulha. De Famalicão vieram vários assistentes, o jogo era importante para ambos os lados. Regra geral quem provoca na terra não se desloca com o seu clube para fora de portas. Estes amavam o seu clube e arriscaram na deslocação. Estavam disfarçados. Tinham receio de serem descobertos. Aqui em Freamunde temo-los às dezenas!
No final do jogo a vitória sorriu ao Freamunde por um a zero. O F. C. Famalicão tinha nas suas fileiras jogadores de gabarito tais como: Wilson, irmão de Edmur, jogador do Vitória de Guimarães, dos melhores de sempre e o guarda redes Santana, mais tarde treinador do S. C. Freamunde. Não teve muita sorte em Freamunde. Foi mandado embora. Nessa altura o S. C. Freamunde ocupava a terceira posição na classificação geral. Com a saída dele quem tomou conta da equipa foi Jorge Regadas e o Mário de “Lordelo”, ficando com a missão de treinadores e jogadores. Foi aqui a ascensão de Regadas como treinador. O Famalicão tinha uma excelente equipa. Foi a primeira de série.
No fim do jogo o pior estava para vir. Freamunde parecia sitiado. A G.N.R. em grande número, como referi em cima, a todo custo queria que os Freamundenses abandonassem o centro da sua vila, lugar onde se discutia o desenrolar dos jogos, a má-língua e a miséria da vida. Não, não podiam dar esse prazer ao desbarato. Para a G.N.R. levar a sua avante tinha de haver contraditório. E foi isso que aconteceu.
Parecia uma guerra civil. Freamundenses contra a G.N.R. O major que comandava a força de segurança levou com um paralelo na cabeça e tiraram-lhe a espada. Era garoto e assisti a isto tudo. Ainda me lembro de ver Joaquim “Morada”, Pinto “Pedreiro” e um irmão do Neca Costa, todos já falecidos, à sapatada com a G.N.R. Estas passagens tenho-as gravadas na minha memória.
Freamunde era assim. Sabia receber quem viesse por bem e o seu contrário a quem viesse por mal.

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