Esta personagem “João Manuel Serra” tinha por hábito dizer adeus – com acenos de mão e sorrisos – a todos os transeuntes, fosse a pé ou de carro, que passavam na rua do Saldanha em Lisboa. Todas as noites ali comparecia, com os seus gestos e a sua humilde bondade. Lisboa agradeceu. Pena que seja depois de morto.
Em Freamunde tivemos muitos. A maioria foi agraciada e lembrada depois da morte. Isso aconteceu porque temos entre nós o Rodela. Não é com acenos. É com a sua esferográfica e num bloco de notas que vai apontando os seus versos. Uns mais controversos que outros. Mas vai falando de Freamunde e do seu povo. Não vamos esperar pela homenagem a título póstumo.
Pela minha parte aqui deixo uma sentida homenagem e que perpetue por muitos e muitos anos para nos agraciar com os seus versos.
Pela minha parte aqui deixo uma sentida homenagem e que perpetue por muitos e muitos anos para nos agraciar com os seus versos.
Sou um poeta do povo,
Escrevo só o que gosto,
Na pena vai o engodo
Pela vida em que eu aposto.
Sou uma grua pequena,
Empurro aquilo que posso,
Mas entro sempre na cena
Nunca esquecendo meu rosto.
Sou filho de gente pobre,
Rico na honestidade,
Um burro pode ser pobre
E o dinheiro universidade.
Um poeta verdadeiro
Faz da pena sua arma,
Deixa p’ra trás o dinheiro,
Dorme no chão ou na cama.
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