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sábado, 18 de julho de 2026

Fui verificar, país a país, se mais alguém na União Europeia alterou os prazos de correção dos exames nacionais em 2026. A resposta é simples: ninguém.

A Espanha cumpriu. A França cumpriu. A Grécia deu instruções expressas aos centros de classificação para publicar sem qualquer atraso, e publicou. A Chéquia, a Hungria, a Áustria, a Croácia, a Polónia, a Lituânia, a Bulgária: todas cumpriram os seus calendários. A Roménia fez melhor: publicou resultados ANTES do prazo.

A Ucrânia — um país sob ataque de mísseis, com centros de exame que nem sempre podem funcionar em abrigos — avaliou mais de 324 mil estudantes e entregou os resultados dentro do prazo.
E depois há a Suécia. A Suécia tinha uma plataforma digital de exames pronta a estrear. Quando detetou falhas — plataforma insuficientemente testada, escolas sem tempo para se prepararem, fugas de dados de alunos — fez o que um Estado sério faz: suspendeu, voltou ao papel e faseou a digitalização até 2029. A auditoria sueca lê-se como a crónica do desastre português escrita por antecipação: a plataforma não foi suficientemente testada antes de entrar em uso e as escolas não tiveram oportunidades adequadas de preparação.
A Finlândia prova o outro lado do argumento: exames 100% digitais desde 2019, resultados entregues às escolas ao minuto. O problema nunca foi a digitalização. O problema é digitalizar à pressa, sem testes, contra os avisos de todos.
Em toda a Europa, só dois países viram os prazos de correção rebentar em 2026: Portugal e Inglaterra. Com a mesma receita: plataforma nova mal testada, empresa contratada, calendário irrealista. Em Inglaterra, o governo já pondera rescindir o contrato com a operadora privada. Em Portugal, o ministro Fernando Alexandre respondeu ao caos chamando falsos aos relatos dos professores.
Provas mal digitalizadas. Provas desaparecidas. Quarenta técnicos mobilizados numa operação noturna à procura de folhas de papel. Professores a repetir correções já concluídas. Pautas adiadas de 14 para 17 de julho. Estudantes semanas em ansiedade, com o acesso ao ensino superior em cima.
Não foi azar. Foi uma escolha política errada contra todos os sinais de alerta — os mesmos sinais que levaram a Suécia a travar a tempo.
Por isso o Bloco propõe uma Comissão Parlamentar de Inquérito. Os estudantes e os professores que aguentaram este caos merecem saber quem decidiu, quem avisou e quem ignorou. E o ministro deve demitir-se. É o mínimo.

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