Ventura disse que o Estado não devia pagar qualquer
indemnização a Sócrates, mesmo que ela transitasse em julgado depois de correr
todas as instâncias judiciais. E trazia dois argumentos, este o primeiro: “Há
momentos em que a justiça deve estar acima da lei”. O segundo argumento
consistiu nisto: “[Se for paga alguma indemnização a Sócrates] o Estado estará
a assumir que a corrupção é um método legítimo de governação em Portugal”. Tudo
somado e dividido, Ventura colocou-se não só como um potencial governante que
se considera acima da lei, como juntou a esse estatuto o poder de decidir por
si e sem julgamento se um qualquer cidadão é culpado de um qualquer crime. O
Estado passa a ser ele, foi o que anunciou. Mas isto não é a notícia.
A notícia é que depois, da SIC à TSF, passando por outros órgãos da “imprensa de referência”, surgiram réplicas dos mesmos argumentos. Dos mesmos. E porquê? Porque Ventura não é uma aberração – é uma continuação, uma síntese, do que a direita decadente começou a fazer em Portugal a partir de 2004.
5 Julho 2026 às 9:14 por Valupi
Do blogue Aspirina B
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