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domingo, 5 de julho de 2026

Dominguice:

Ventura disse que o Estado não devia pagar qualquer indemnização a Sócrates, mesmo que ela transitasse em julgado depois de correr todas as instâncias judiciais. E trazia dois argumentos, este o primeiro: “Há momentos em que a justiça deve estar acima da lei”. O segundo argumento consistiu nisto: “[Se for paga alguma indemnização a Sócrates] o Estado estará a assumir que a corrupção é um método legítimo de governação em Portugal”. Tudo somado e dividido, Ventura colocou-se não só como um potencial governante que se considera acima da lei, como juntou a esse estatuto o poder de decidir por si e sem julgamento se um qualquer cidadão é culpado de um qualquer crime. O Estado passa a ser ele, foi o que anunciou. Mas isto não é a notícia.

A notícia é que depois, da SIC à TSF, passando por outros órgãos da “imprensa de referência”, surgiram réplicas dos mesmos argumentos. Dos mesmos. E porquê? Porque Ventura não é uma aberração – é uma continuação, uma síntese, do que a direita decadente começou a fazer em Portugal a partir de 2004.

por Valupi

Do blogue Aspirina B

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