Antigamente, quando uma equipa ganhava o Campeonato do
Mundo, a cerimónia era simples: os jogadores recebiam a taça, levantavam-na ao
céu, festejavam com os companheiros e deixavam gravado para sempre aquele
momento na história do futebol. Agora, parece que já não basta.
À volta da Taça multiplicam-se presidentes,
primeiros-ministros, dirigentes, convidados especiais e toda uma galeria de
personalidades que, por momentos, parecem disputar um campeonato paralelo: o de
aparecer na fotografia.
A festa, que deveria pertencer exclusivamente aos
campeões, transforma-se num autêntico "banho de multidão" para quem
nunca deu um pontapé na bola, nunca correu noventa minutos nem sofreu um
carrinho em campo. Mas lá estão eles, sorridentes, cumprimentando jogadores,
acenando para as bancadas e procurando um lugar privilegiado ao lado do troféu.
Até parece que foram eles que marcaram o golo da vitória.
O futebol continua a ser dos jogadores. A taça
continua a ser conquistada por quem sua dentro das quatro linhas. Mas há quem
não resista à tentação de aproveitar o brilho dourado do troféu para iluminar
também a sua imagem. Se isto continua assim, qualquer dia o capitão da equipa
terá de pedir licença para levantar a Taça... porque a fila das fotografias
protocolares ainda não terminou.
Felizmente, há uma coisa que nem o melhor
enquadramento das câmaras consegue alterar: os campeões continuam a ser aqueles
que venceram dentro do campo. Os restantes... apenas aproveitaram o momento
para tomar um rápido banho de popularidade.
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