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segunda-feira, 20 de julho de 2026

O BANHO DE MULTIDÃO... DOS OUTROS:


Antigamente, quando uma equipa ganhava o Campeonato do Mundo, a cerimónia era simples: os jogadores recebiam a taça, levantavam-na ao céu, festejavam com os companheiros e deixavam gravado para sempre aquele momento na história do futebol. Agora, parece que já não basta.

À volta da Taça multiplicam-se presidentes, primeiros-ministros, dirigentes, convidados especiais e toda uma galeria de personalidades que, por momentos, parecem disputar um campeonato paralelo: o de aparecer na fotografia.

A festa, que deveria pertencer exclusivamente aos campeões, transforma-se num autêntico "banho de multidão" para quem nunca deu um pontapé na bola, nunca correu noventa minutos nem sofreu um carrinho em campo. Mas lá estão eles, sorridentes, cumprimentando jogadores, acenando para as bancadas e procurando um lugar privilegiado ao lado do troféu. Até parece que foram eles que marcaram o golo da vitória.

O futebol continua a ser dos jogadores. A taça continua a ser conquistada por quem sua dentro das quatro linhas. Mas há quem não resista à tentação de aproveitar o brilho dourado do troféu para iluminar também a sua imagem. Se isto continua assim, qualquer dia o capitão da equipa terá de pedir licença para levantar a Taça... porque a fila das fotografias protocolares ainda não terminou.

Felizmente, há uma coisa que nem o melhor enquadramento das câmaras consegue alterar: os campeões continuam a ser aqueles que venceram dentro do campo. Os restantes... apenas aproveitaram o momento para tomar um rápido banho de popularidade.

João Gomes

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