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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Quando Lula brinca dizendo que:

Se Donald Trump conhecesse seu “parentesco com Lampião”, não provocaria o Brasil, ele não está fazendo folclore barato. Ele está fazendo política externa de alto nível, daquelas que parecem leves na forma, mas são duras no conteúdo.

A frase, dita em tom descontraído, carrega uma mensagem objetiva: o Brasil não busca confronto, mas também não aceita intimidação. Lula escolhe a ironia inteligente em vez do choque ideológico. E isso, no tabuleiro internacional, vale ouro. Enquanto muitos líderes falam para suas bases internas, Lula fala para o mundo. E o mundo entende.
Ao afirmar que não quer confronto com Trump e que a atuação brasileira deve se concentrar na defesa do multilateralismo, Lula reposiciona o Brasil exatamente onde ele sempre teve peso real: como ponte, não como trincheira. Ele lembra que o multilateralismo foi essencial para a estabilidade global após a Segunda Guerra Mundial, o que não é nostalgia acadêmica, é um recado político. Em um cenário de guerras comerciais, sanções unilaterais e diplomacia do grito, o Brasil se apresenta como ator racional.
O contraste é evidente quando se olha para o passado recente. Em outros momentos, o Brasil escolheu a bravata, o alinhamento automático e a retórica agressiva. O resultado foi isolamento, perda de espaço e desconfiança. Agora, com Lula, o país volta a ser ouvido porque volta a falar a língua da diplomacia profissional.
O detalhe mais importante dessa fala é o que vem depois. Lula confirma a intenção de viajar aos Estados Unidos para encontrar Trump. Ou seja, não há recuo, há estratégia. Ele critica sem romper, sinaliza firmeza sem fechar portas, e deixa claro que o Brasil quer cooperação internacional em pé de igualdade, não submissão.
Esse é o Lula que incomoda alguns e tranquiliza muitos outros. Um líder que entende que política externa não se faz para aplauso imediato, mas para resultado concreto. Que sabe que, no jogo global, quem grita demais geralmente tem pouco a oferecer, e quem negocia com inteligência amplia seu espaço.
No fim, a fala sobre Lampião vira símbolo. Não de provocação, mas de identidade. Lula lembra que o Brasil tem história, personalidade e autonomia. E que dialogar com grandes potências não significa ajoelhar, significa sentar à mesa com confiança.
É por isso que, hoje, o Brasil voltou a contar. Não porque ameaça. Mas porque sabe exatamente o que quer e como dizer.

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