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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Mas, ó Ventura, seu aldrabão, a direita não votou em ti! E o que é isso do socialismo ter ganhado e precisar de ser derrotado?

Longe de mim estar a assumir a defesa da nossa direita democrática (muitas vezes tão inculta, mentirosa e agressiva), mas só o facto de ela, maioritariamente, ter rejeitado o Ventura merece o meu elogio. Não faz, por isso, qualquer sentido que o “taberneiro” papa-hóstias que é líder do Chega se autointitule o novo líder da direita. É que, por lá, pelos vistos ninguém o atura nem aturará. Mesmo alguns eleitores de direita que votaram agora nele fizeram-no (segundo disseram) para não dar demasiado “ufanismo” ao candidato de esquerda. Nem esses gramam o Ventura por aí além, muito menos votarão nele em próximas legislativas.

Também, ao contrário do que diz o vendedor de banha da cobra, não foi o “socialismo” que ganhou, sendo que “socialismo”, pela insistência e o tom com que profere a palavra, soa a uma espécie de comunismo, igualitarismo esquerdista e corrupto. Ora, não. Também não. A direita que votou no Seguro não lhe atribui de todo esse perfil (nem os socialistas). Além disso, o partido socialista é, desde sempre, social-democrata. Correu com os comunistas na altura devida. Contribuiu de forma decisiva para a consolidação da democracia em Portugal e não tem de certeza, proporcionalmente, mais gente corrupta do que o Chega (que ainda nem chegou ao poder e os compadrios autárquicos e conflitos com a Justiça já vão longos). Democracia, ó Ventura, que é o sistema através do qual o poder vai alternando. Há regras de direito, há controlo político através do Parlamento e da liberdade de associação, expressão e opinião e há entidades independentes para evitar abusos. É o contrário do que parece ser o sistema favorito do Ventura, que é a ditadura – uma pessoa a mandar, de preferência para sempre, e todos a obedecer, sob pena de irem presos ou serem mortos. Impensável para a maioria dos portugueses.

A propósito da apregoada “mudança do sistema” de que o vendedor de banha da cobra fala a toda a hora, os senhores jornalistas importam-se de lhe perguntar um dia destes para que sistema é que ele quer mudar? E não vale aceitar a resposta de que será “um sistema sem corrupção e que defenda a honra de Portugal e de quem cá nasceu”. Não vale, porque o salazarismo ao triplo que o Ventura defende era supostamente isso e não deixava de ser o sistema mais corrupto de todos, em que apenas alguma famílias lambe-botas tinham acesso à riqueza, o que implicava uma máquina repressiva gigantesca para as restantes classes sociais e a fuga em massa de quem não aguentava a pobreza. Por isso, é imperativo que a pergunta aprofunde o tema.

O Ventura deve, pois, baixar a bolinha e a direita clássica tem que ir para a sala de estudo gizar uma estratégia. Que as democracias não são perfeitas, já o sabemos. Basta ver a facilidade com que permitem o surgimento e a popularização de demagogos como o Ventura. Só que o que o ex-seminarista com alucinações e gestos nazis promete é mil vezes pior do que o que temos. O exemplo da América, com a eleição de um criminoso e o pavão mais corrupto que o mundo já alguma vez viu em tal cargo, deve bastar para lhe cortar as vazas. Serás um episódio, ó Ventura.

 por Penélope

Do blogue Aspirina B

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