É difícil defender a paz quando a propaganda belicista impede a sua discussão, mas é covardia não o fazer. Também é difícil defender a necessidade de defesa em tempo de paz, e é igualmente obrigatório.
O caso português, onde os contemporâneos da 2.ª Grande Guerra já se finaram e os que sofreram a guerra colonial são uma espécie em vias de extinção, merece reflexão.
Um curso caro, pago por todos, deixa o beneficiário livre para emigrar e vender as suas aptidões em qualquer mercado: engenheiros aeronáuticos, físicos nucleares, químicos, médicos, pilotos aviadores, etc. etc. Ninguém se sente devedor do que recebeu.
O serviço militar obrigatório (SMO), o serviço médico à periferia, e quaisquer outras obrigações cívicas, foram alienados na voragem neoliberal que nem o SNS deixa na esfera do Estado, para aumentar os lucros privados à custa dos mais carenciados.
Votaram a extinção do SMO o PSD, o CDS e o PS, deixando o PCP sozinho, parecendo a sua defesa uma ideia revolucionária, como se o salazarismo não o exigisse ou a direita que, hoje, defende o SMO, conhecendo os custos financeiros das FA profissionais.
Recordo a agitação das juventudes do CDS, PSD e PS a exigirem a Guterres a abolição do SMO, quando havia bons argumentos para o manter integrado num serviço cívico de ambos os sexos com tarefas alternativas. Hoje, quando a direita pretende o regresso, sou eu, das raras vozes que fora do PCP se opunham, que agora exijo a sua discussão prévia.
Quanto à guerra que mata centenas de soldados por dia, ucranianos e russos, a UE está arredada das negociações de paz por manifesta parcialidade, pelo apoio total à Ucrânia que, tal como a Rússia, apostou no colapso do adversário.
E agora é a Ucrânia, desesperada, que procura um mediador para promover o fim da guerra, para que lhe faltam soldados, e o regresso de milhões de refugiados fugidos.
E, ironia, é Lula da Silva que as autoridades portuguesas trataram de forma incorreta, pela sua equidistância no conflito ucraniano, o interlocutor a quem Zelensky recorre.
Carlos Esperança
Sem comentários:
Enviar um comentário