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segunda-feira, 30 de maio de 2022

Só tristezas: de Milhazes a Rogeiro, de Zé Alberto à RTP pimba:

SIC sem pluralismo no Jornal da Noite, ao contrário do Jornal das 8, apesar do jornalista da TVI não saber fazer perguntas. Mas há mais desgraças no pequeno ecrã

1. A guerra na Ucrânia vai para 100 dias. Quase sempre no ‘Jornal da Noite’, a SIC continua a insistir em ter em estúdio, com Clara de Sousa ou Rodrigo Guedes de Carvalho, José Milhazes e Nuno Rogeiro, dois comentadores da velha guarda que alinham pela mesma ideia, que defendem argumentos e posições políticas iguais neste conflito no Leste da Europa. Variam apenas no registo, no tom: um – numa linguagem mais refinada e cerebral – diz "esfola"; o outro – num discurso inflamado e mais ou menos tosco – diz "mata". 

Uma tristeza, esta falta de pluralismo em antena na estação do democrata Ricardo Costa, muito bem aproveitada pela TVI, no ‘Jornal das 8’, quando decide apostar numa dupla com visões completamente antagónicas, como aconteceu na quarta-feira passada, com a analista de relações internacionais Helena Ferro Gouveia e o major-general Agostinho Costa. Sem dúvida, ganha o espectador, ganha a democracia.

Só José Alberto Carvalho, dono de uma voz única, não consegue fazer perguntas com pontos de interrogação. Isto é, perde-se nas suas longas observações, com cheirinho a opinião, e, no final, não sabemos muito bem qual é a questão que acabou de colocar aos convidados. Esta é a outra tristeza, agora em Queluz de Baixo.

2. ‘Chefs da Nossa Terra’, entregue aos popularuchos Isabel Silva e João Paulo Rodrigues, é a nova aposta da RTP1 para os domingos à tarde. Ao fim de duas semanas, já se percebeu que, com uma ou outra rubrica nova, é uma cópia barata do que existe na concorrência, à mesma hora. Bem pode a apresentadora, eufórica com uma nova oportunidade na televisão após a dispensa na TVI, apregoar que este "é um programa para todas as famílias portuguesas", que não é. Infelizmente. 

A estação pública tem de fazer mais e melhor, porque o País não pode estar destinado às Rebecas desta vida, a carregar-nos com música pimba a toda a hora, a ver um palco montado numa vila ou cidade com meia dúzia de pessoas a assistir, a pôr uns repórteres na rua a fazer as perguntas do costume e a distribuir uns prémios. A sentença dos números, para já, é arrasadora: apenas uma média de 275 mil espectadores, em dois episódios. É a (minha) última tristeza.

PAULO ABREU

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