Bife à Marrare só a marrar;
A recuperação está aí, basta olhar para o prato. Ainda ontem os
conselhos da Isabel Jonet eram para não comermos bife e hoje já se discute o
tipo de bife: só de vaca! Bife à Marrare, só a marrar. Esta mania dos bifes,
falo dos ingleses, de que a função do cavalo é alimentar-lhes o vício das
apostas e não ser servido às postas, tornou-se a preocupação nacional. Lendo os
jornais, parece que o pior que pode acontecer aos portugueses não é o
desemprego, é dar uma dentada no prego (de vaca) e outra na ferradura. O velho
provérbio sobre enganados, comer gato por lebre, hoje transformou-se no
pesadelo de alguns gramas de cavalo na nossa lasagna de vitela. Engolirmos o
BPN, ainda vá lá, agora picarmos com garfo o que nasceu para ser picado por
esporas, não! Aqui chegados, há que dizer que a crise é global. Ontem, o Le
Monde anunciava que a ASAE sul-africana encontrou na carne seca de antílope,
pitéu local, vestígios de girafa. Ao que chegou a ousadia dos traficantes:
tentar esconder girafa, o mais notório dos animais! Entretanto, soube-se que na
origem da crise do cavalo estava, claro, Bruxelas. Em 2007, uma diretiva
europeia impôs à Roménia normas rodoviárias: nada de carroças puxadas a cavalo.
Nesse tempo, havia 750 mil carroças romenas e o preço da carne de cavalo era
pouco inferior ao de vaca. Agora, o preço da carne de cavalo caiu para um
quarto... Expulsai o natural das estradas, ele volta a galope para o prato.
FERREIRA FERNANDES NO DN

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