Aquelas pessoas que foram ao aeroporto assobiar a selecção e o seu treinador após um magnífico jogo e uma bela vitória contra a Dinamarca, e que andaram a espalhar cartazes “solidários” e laudatórios em Oeiras, parecem-me ser do mesmo calibre que os apoiantes do Trump. Estúpidos, ridículos e prestes a integrarem um culto.
A postura de vítima que o Ronaldo decidiu assumir é também ridícula e deu azo a que tal pudesse acontecer. Há muito que já não é o melhor futebolista do mundo e que não acrescenta qualquer valor produtivo à selecção. Há demasiado tempo que quer que a selecção esteja ao serviço do seu ego, apesar das juras de amor a Portugal e à camisola.
Por que razão se dispôs a integrar a selecção sabendo que não iria jogar tanto quanto gostaria correndo o risco de birra e crise é um mistério. Provavelmente, entendeu que, uma vez lá dentro, condicionaria as escolhas (como aconteceu com Martínez). E Jorge Jesus esteve quase a ser condicionado chegando a prometer-lhe que entraria naquele jogo em que não era suposto jogar. Mas a táctica frustrou-se. Depois, quis rebaixar o treinador obrigando-o a um pedido público de desculpas por ter posto o desempenho da equipa à frente da entrada em campo dele próprio. Também não conseguiu. Nunca tal aconteceria. Foi-se embora furioso nem lhe ocorrendo que o melhor era nem sequer ter ido, pois não iria ter nem desempenho nem tempo de jogo dignos da vedeta que pensava ser.
Mas enfim, já toda a gente percebeu o psicodrama. Há agora uma boa maneira de o Ronaldo mostrar que tem carácter e de sair um pouco melhor deste caso: apelar aos seus admiradores mais fanatizados que respeitem e apoiem os colegas da selecção e o trabalho do treinador, porque isso é o mais importante. Se não, triste legado que deixa.
2 Outubro 2026 às 19:19 por Penélope
Do blogue Aspirina B
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